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Feb 2019

TEORIA DA EVOLUÇÃO

Publicado por

Extrato de Nota de Aula atualizada, lecionada pelo Dr. Afonso Celso Candeira Valois,
Ex- Professor Convidado da UnB, Ex-Professor Contratado da UEA/CEST- Tefé (AM), Pesquisador Aposentado da Embrapa.

– Evolução é um processo natural e gradual, resultante de descendência com modificações e diversificações, que reproduziu todos os organismos vivos e extintos.

– Teoria sintética da evolução- agrupamento de fatores que alteram as frequências alélicas das populações e que dão suporte aos principais enfoques da evolução, que são:

  1. a) processo que cria a variabilidade- mutação (alteração no material responsável pela herança devido à modificações ocorridas no material genético, capaz de se perpetuar);

  2. b) processos que ampliam a variabilidade- migração, recombinação genética, hibridação, alterações na estrutura e no número de cromossomos;

  3. c) processos que orientam as populações para maior adaptação- seleção natural, oscilação genética e isolamento reprodutivo.

– Seleção Natural (Darwin e Wallace)- grau de mortalidade na natureza; diferenças hereditárias entre indivíduos de uma mesma espécie.

– Seleção Natural- sobrevivência dos mais adaptados. Sucesso reprodutivo diferencial.

– Princípios das observações de Darwin: grande mortalidade dos descendentes; diversidade de indivíduos com grande atuação da hereditariedade; sucesso reprodutivo diferencial.

-Forças evolucionárias (mutação, migração, recombinação, seleção natural, oscilação genética) e polimorfismo.

– Um outro dado muito importante sobre a Teoria da Evolução, trata-se da referência que deve ser feita ao inglês Alfred Russell Wallace (1823-1913), “co-descobridor do princípio da seleção natural (ou mesmo da evolução)” em conjunto com o outro também nobre inglês Charles Darwin. A história conta que quando Wallace regressava da Amazônia para a Europa, o barco que transportava o citado naturalista sofreu um naufrágio motivado por um incêndio ocorrido a bordo. No entanto, Wallace conseguiu se salvar em barco a remo, no qual permaneceu (junto com companheiros de viagem) por 10 dias ao sabor das maresias do Oceano Atlântico, até ser resgatado por um navio cargueiro. Nesse nefasto período, Wallace sofreu fome e sede, além da perda de todo o material científico coletado, com exceção de algumas anotações e esboços. Isso com certeza, também foi uma enorme perda para o sucesso dos estudos sobre a “teoria da evolução”! Nesse sentido, Wallace guardou economias durante os anos em que trabalhou como agrimensor para a pequena empresa de um irmão, no Reino Unido, e em conjunto ao amigo Henry Walter Bates (1825-1892), com quem dividia o interesse pela botânica e entomologia, embarcaram no porto de Liverpool com destino à cidade de Belém, no Pará, mas sem saber ao certo o que iriam encontrar na Amazônia. Existia uma ou outra descrição efetuada por europeus que haviam viajado pela Hiléia, mas grande parte do território permanecia inexplorado e suscitava grande curiosidade entre os estrangeiros. Até aos 25 anos, quando iniciou a expedição pela Amazônia, Wallace trabalhou com agrimensura e aritmética, disciplinas que ele chegou a lecionar em uma escola. Além disso, estudava, como autodidata, botânica e zoologia. A leitura de algumas publicações foi muito importante na preparação da viagem pela Amazônia. Ele também conhecia os trabalhos elaborados por Charles Darwin (1809-1882), com destaque para “A Origem das Espécies”, livro publicado pela primeira vez em 24/11/1859. Em março de 1858, Wallace enviou uma carta de apresentação a Darwin com o artigo “sobre a lei que regula a introdução de novas espécies”, pedindo a bem-vinda opinião do mesmo. O texto resumia parte das ideias presentes na teoria da evolução, sobre a qual Darwin vinha trabalhando havia 20 anos. As duas monografias foram apresentadas ainda em 1858 em uma sessão da Linnean Society de Londres, importante centro de estudos de história natural do Reino Unido. No ano seguinte, Darwin publicou “A origem das espécies”, talvez receioso de perder a paternidade desse muito importante processo de explicação de parte dos fenômenos da natureza. Quando Wallace retornou de uma viagem da Malásia à Ingraterra, a primazia darwinista já estava estabelecida. A viagem desse naturalista britânico Alfred Russel Wallace à Amazônia foi fundamental para que ele estabelecesse o início das concepções sobre a distribuição dos seres vivos, que se revelou essencial para a elaboração da teoria da evolução. Wallace foi um dos primeiros a estabelecer estudos modernos sobre a distribuição geográfica dos animais e plantas e sua relação com o meio ambiente e deixou importantes registros da diversidade de espécies da Amazônia. O naturalista passou dois anos na região da bacia do rio Negro, entre 1850 e 1852. A esta altura da viagem, Wallace e Bates já haviam seguido caminhos separados, dando a impressão de que eles desejavam cobrir o máximo possível do território e coletar espécies em locais diferentes. Nos quatro anos em que Wallace andou pelo Norte do Brasil ele descreveu e fez centenas de ilustrações de peixes, aves, árvores, cidades, fazendas e pessoas comuns. No entanto, seus relatos sobre o modo de vida local e interação com a população ainda não foram suficientemente estudados por pesquisadores brasileiros. O naturalista teve uma sensibilidade ímpar para captar as minúncias das relações de poder entre fazendeiros, comerciantes, escravos e demais integrantes da sociedade brasileira da época. Wallace tinha reconhecido talento para o desenho e a produção de mapas. A precisão dos desenhos em conjunto com as descrições que fez permitiram a identificação de um grande número de espécies por ele coletadas, mesmo sem a presença dos exemplares. No Museu de História Natural de Londres estão os originais dos 212 desenhos de peixes da bacia do rio Negro, que nunca haviam sido corretamente publicados, como o naturalista esperava, segundo carta enviada por ele ao referido museu ao fazer a doação do raro e importante acervo, em 1904. Os 212 desenhos quase desapareceram completamente quando Wallace retornou ao Reino Unido vindo de Belém, em 1852. O navio em que ele viajava incendiou-se. Wallace foi até sua cabine e pegou uma pequena caixa de metal com desenhos, caderno com anotações e algumas camisas de uso pessoal antes de rumar para o bote salva-vidas. Toda a sua coleção de animais e plantas, além de muitos outros desenhos, guardados no porão do navio, foram perdidos. O trabalho que restou de sua passagem pelo Brasil foi o que havia sido vendido para colecionadores europeus. Outro motivo de tristeza aconteceu anos antes, quando o seu irmão Herbert, que havia se juntado a ele em 1849, contraiu febre amarela e morreu. Wallace publicou mais de 20 livros e manteve uma relação de amizade com Darwin até ao falecimento deste último, em 1882. O famoso naturalista morreu aos 90 anos, em 1913.

PS: A grande maioria das informações aqui contidas foi colhida do texto de Carla Aranha, publicado em Pesquisa FAPESP- Memória, fevereiro de 2019, ano 20, n. 276, p. 90-92, tendo  a citação dos seguintes artigos:

WALLACE, A. R. Viagens pelo Amazonas e rio Negro. Brasília, Senado Federal, 2004. WALLACE, A. R; RAGAZZO, M de T. P. (Org). Peixes do rio Negro. São Paulo: Edusp/Imprensa Oficial, 2002.

(Para os leitores interessados em saber de parte da base genética dos processos evolutivos dos seres vivos e pequena história de um dos destemidos e corajosos pesquisadores descobridores- nosso reconhecimento e singelos elogios).



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