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Abr 2019

SALVE A EMBRAPA- 46 ANOS DE PROFÍCUAS ATIVIDADES DE PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA

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Por Afonso Celso Candeira Valois, Eng. Agrônomo,Mestre, Doutor e Pós-Doutor em Genética,
Melhoramento e Biotecnologia de Plantas, Pesquisador Aposentado da Embrapa, Ex-professor Associado da UnB,
Ex-Professor Contratado da UEA/CEST e Ex-Secretário Municipal de Meio Ambiente de Tefé (AM).

A Lei Federal n. 5.851, de 07 de dezembro de 1972, tem um enorme significado para o Brasil, pois foi o instrumento jurídico oficial que criou a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), uma empresa pública de direito privado, vem sendo um dos sustentáculos para o pagamento das contas da nossa grande pátria, atualmente com 519 anos de descoberta.

Após a sua muito bem-vinda criação, essa empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), iniciou as suas cintilantes atividades propriamente ditas em 26 de abril de 1973, assumindo a responsabilidade pelos destinos da pesquisa agropecuária oficial no país, algo que vem executando com extrema eficiência, eficácia e efetividade, lhe conduzindo ao reconhecimento nacional e internacional de ser uma das principais instituições de PD&I do setor, no mundo tropical. Teve como primeiro presidente, o Dr. José Irineu Cabral, e como diretores os Drs. Edmundo Gastal (Planejamento), Eliseu Alves (RH) e Roberto Meireles, sendo que este foi logo substituído pelo Dr. Almiro Blumenschein (PD&I) após passar para a nova diretoria, os seus conhecimentos e experiência como o último diretor do DNPEA, cujo departamento do Ministério da Agricultura foi transformado em Embrapa!

 Antes da Embrapa, no MAPA, a pesquisa agropecuária era conduzida pelo Escritório de Pesquisa e Experimentação (EPE) até 1968, passando depois para Departamento Nacional de Pesquisa e Experimentação Agropecuária (DNPEA), sendo em seguida suprimida a palavra Experimentação, com a manutenção da sigla original. Esse Departamento, que deu lugar à Embrapa, era constituído por 11 Institutos Regionais de Pesquisa, compondo formidáveis infraestruturas, que em seguida serviram de bases físicas para importantes centros de pesquisa da Embrapa. Essa transformação de departamento em empresa pública visou principalmente assegurar a disponibilidade compatível de recursos humanos,  financeiros e materiais, além de aumentar a flexibilidade da nova instituição brasileira.

A Embrapa foi implantada seguindo um modelo premonitório, com a finalidade precípua de promover, estimular, coordenar e executar pesquisas agropecuárias no Brasil, tendo em vista gerar conhecimento, tecnologia e inovação para o desenvolvimento da agricultura e pecuária no país.

A estrutura organizacional e o modelo de execução de pesquisa da Embrapa diferiram daqueles que vinham sendo executados pelo DNPEA.  Para o caso da pesquisa agropecuária propriamente dita, precipuamente, o DNPEA usava um modelo difuso, onde poucos pesquisadores eram responsáveis por muitos produtos, além da atuação ser por oferta da tecnologia. Com o advento da Embrapa, a empresa instituiu o modelo concentrado, onde muitos pesquisadores passaram a trabalhar com poucos produtos, migrando da ação de oferta para demanda do setor produtivo, e com isso houve rapidamente um substancial aumento da aplicação dos resultados de pesquisa, além de outras vantagens comparativas.

Após, principalmente para melhorar e ampliar a articulação da pesquisa agropecuária com a assistência técnica e extensão rural e também com os produtores, a programação de pesquisa da Embrapa passou a seguir o modelo concentrado circular, com três fundamentos: o método técnico-científico, a responsabilidade do pesquisador nos processos decisórios e o direcionamento das pesquisas para a solução de problemas relevantes dos produtores. Ainda houve exitoso exemplo do citado  esquema ser ajustado para o “modelo concentrado circular regional integrado” por este autor, para o caso das pesquisas com seringueira e dendê!

Com o fito de se modernizar ainda mais, a Embrapa implantou o Sistema Embrapa de Planejamento (SEP), composto por seis macroprogramas, passando em seguida a adotar o Sistema Embrapa de Gestão (SEG), atualmente com novas adaptações. A Empresa está composta por 42 unidades descentralizadas, além de atuar e coordenar o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA), que está composto por empresas estaduais de pesquisa, institutos e outras instituições, além da própria Embrapa. Como inovação de gestão, na atualidade, a Embrapa desenvolve um sistema próprio de selecionar chefes-gerais de suas unidades descentralizadas!

No sistema adotado pelo DNPEA, apesar de ter deixado muitos pontos positivos, era comum deparar-se com solução de continuidade nos esforços e ações de pesquisa e com a falta de uma gestão eficiente e eficaz, dando lugar ao aparecimento da duplicação de trabalho, pulverização e má utilização dos parcos recursos de uma maneira geral. Assim, os recursos financeiros eram limitados e incertos, enquanto que os recursos humanos eram reduzidos, inconstantes, mal remunerados e a maioria sem treinamento especializado.

Para enfatizar esse quadro de recursos humanos, pode- se citar que em 1974, na fase inicial da Embrapa, 83% de um total de 872 pesquisadores não tinham curso de pós-graduação e que após dez anos da Embrapa (1982) houve uma inversão de valores, isto é, cerca de 75% de um total de 1.597 pesquisadores já possuíam  aqueles cursos de especialização no nível de mestrado e doutorado. Deve-se frisar ainda, que além da infraestrutura dos seus 11 institutos de pesquisa e respectivos campos experimentais, em 1973 o DNPEA transferiu para a Embrapa um total de 833 pesquisadores, onde 17% eram mestres e apenas dois pesquisadores tinham o título de doutor, diga-se de passagem, nos Estados Unidos.

No mês de abril, no dia 26 de 2019, aos 46 anos da criação e real início das atividades dessa bem sucedida Empresa Pública de Pesquisa Agropecuária já se teve a feliz oportunidade de deparar com diversos elogios dirigidos à Embrapa no âmbito nacional e internacional, o que não deixa dúvidas quanto ao sucesso do seu modelo organizacional de pesquisa, que cada vez mais vem se modernizando. Certa vez se ouviu de um Presidente da República um altivo reconhecimento à Embrapa pelo muito que a mesma vinha fazendo em benefício do Brasil. Também, por ocasião da passagem dos 25 anos da Empresa, em solenidade no plenário do Senado Federal, os Senadores da República, independente de partidos políticos, juntaram-se em prol de uma voz comum, isto é, a Embrapa como uma unanimidade nacional, capaz de unir a todos os brasileiros, esperançosos por dias sempre melhores.

Dentre os inúmeros feitos da Embrapa, muitos podem ser destacados. Por exemplo, pode-se fazer referência à produção de soja no Brasil, de cerca de 117 milhões de toneladas em 2018/2019. Antes da Embrapa Soja, localizada em Londrina (PR), a produção de soja no país girava em torno de um milhão de toneladas.

No entanto, deve-se considerar que além da revolução tecnológica que a Embrapa implantou, a sustentação da renda agrícola, crédito rural e assistência técnica e extensão rural também foram importantes nesse auspicioso aumento de produção e produtividade, sendo o país um dos líderes mundiais na produção e exportação de carne bovina, carne de frango, café, laranja e suco, além da própria soja, como exitoso resultado do agronegócio competitivo.

Certa vez este Autor, na função de Chefe-Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, chegou aos EUA na ânsia de efetuar um intercâmbio de germoplasma de soja, dentre outros objetivos. Organizou-se uma reunião na Universidade de Maryland com 18 produtores americanos e professores daquele conceituado estabelecimento de educação e ouviu-se que eles não poderiam concordar em enviar sementes de soja para o Brasil por ser um país competidor (depois o USDA nos concedeu 1.400 acessos!). Realmente, devido à força da tecnologia apropriada (a Embrapa descobriu que no Brasil se podia produzir soja tanto em altas como em baixas latitudes), sempre está havendo uma alternância com aquele país no referente ao maior produtor mundial!

Além desse exemplo da soja, muitos outros podem ainda ser citados onde a Embrapa obteve êxito, como: produção de alimentos, fibras e energia em áreas de cerrados, enxertia-de-copa em seringueira, definição de áreas de escape a doenças no plantio da seringueira, integração agricultura- pecuária- floresta, sistemas agroflorestais, controle biológico de pragas da agricultura, criação de organismos geneticamente modificados, uso de bactérias nitrificantes e fungos micorrízicos, nanobiotecnologia, biorremediação, bioenergia, agricultura de precisão, manejo de recursos genéticos de plantas, animais e microrganismos, melhoramento genético de plantas e animais, melhoramento genético na base molecular, alimentos seguros livres de impedimentos de ordem biológica, física e ambiental, plano ABC, geração de mapas de solos, definição de tipos climáticos, avaliação de riscos, perigos e danos, segurança biológica, tecnologias ambientais, clonagem e reprodução animal, alimentação animal, além de tantos outros bem sucedidos exemplos.

No âmbito internacional, além do seu laboratório no exterior (Labex), atuando na América, Europa, Ásia e África com inteiro sucesso, o destaque vai para a liderança fraternal que a Empresa ostenta na Amazônia Continental. Em articulação com o Procitropicos, a Embrapa doou conhecimentos e tecnologias para países amazônicos, fato que países ditos desenvolvidos não cumpriram com o prometido por ocasião da ECO/92 e em outros eventos, devido as suas pesquisas serem privadas na grande maioria, necessitando assim de ressarcimento por parte dos usuários.

No contexto do seu sistema organizacional, um grande sustentáculo da Embrapa está no seu planejamento estratégico e plano diretor a partir de 1988 (este Autor teve o privilégio de integrar a equipe de elaboração), o que faz com que tanto a unidade central como as descentralizadas não envelheçam, pois sempre estão se aprimorando, atentas ao ciclo PDCA, isto é, planejar, desenvolver, corrigir, avaliar e ajustar de maneira periódica, como suporte ao modelo de gestão estratégica, usado pela Embrapa, que por sua vez complementa as ações de planejamento anteriormente citadas. Tem sido ainda relevante a análise da Matriz FOFA, pela análise dos pontos fortes, pontos fracos, ameaças e oportunidades na gestão do planejamento na Embrapa, sendo as suas 42 unidades bastante proativas em benefício da pátria amada Brasil!

 



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