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27

Nov 2017

Preservação + Conservação = Proteção (Em português)

Publicado por

Dr. Afonso Celso Candeira Valois, Pesquisador Aposentado da Embrapa

No programa de televisão “Bom dia Brasil” de 22/06/2017, bem como na página UOL, foi veiculada a suposta “cobrança” da Noruega quanto ao melhor controle daquilo que intitulo de bioburla (fraude à vigilância e às leis ambientais em ações criminosas contra os recursos bióticos da natureza- termo técnico epigrafado e publicado por ACCVALOIS), com a chamada do cumprimento do acordado sobre a “Preservação da Amazônia Brasileira”, no dia em que o atual Presidente do Brasil visitou aquele País. Isso é em decorrência do lastimável retorno ao nefasto desflorestamento significativo na grande região. Essa exigência é por conta do elevado volume de recursos financeiros que a Noruega devota ao Brasil com o fito da aplicação para o benefício de uma Amazônia “preservada”, mas que vem falhando atualmente.

O que muito me chamou atenção foi o erro recorrente quanto à aplicação do termo “preservação”, que constantemente vem sendo empregado sem o devido zelo por jornalistas e ambientalistas no Brasil, pois em sã consciência não se pode nem de longe pensar em preservar toda Amazônia, levando em conta e respeitando as mais de 35 milhões de pessoas que vivem na Hileia e que precisam ostentar uma vida saudável! Talvez o que esteja faltando seja o melhor entendimento técnico da palavra, levando-a ao errôneo emprego, como aliás já enfatizei em inúmeras outras oportunidades!

O título deste singelo artigo é justamente direcionado às pessoas que primam pelo desentendimento dessa palavra, levando os nobres leitores ao confundimento. Quando se emprega a palavra “preservar” significa não usar, enquanto que quando existir a necessidade do uso, então se diz “conservar”. Isso remete ao entendimento implícito de que “preservar + conservar= proteger”. Para o caso presente da Amazônia, na grande região há nichos ecológicos que têm que ser preservados por serem tênues, muito sujeitos a forte degradação ambiental, de difícil recuperação. Para o caso da conservação, a referência é para o uso, mas obrigatoriamente sustentável. Considerando que ambas as palavras devem ser usadas para a Hileia, dentro de uma visão holística o melhor mesmo é empregar a palavra “proteção”, que já inclui as demais, levando em contas as respectivas nuanças de aplicação.

Mas em nenhuma situação se deve andar pelo mundo afora com a proposta de vender projetos para “preservar a Amazônia”, pois sempre será uma enorme falácia. A independência, integridade e soberania da Amazônia devem sobrepor qualquer ato individualista de quem quer que seja!

Todos sabem daquela indigesta disputa entre ambientalistas, desenvolvimentistas e sustentabilistas, na maioria das vezes sem atentar para o bem-estar dos principais interessados, ou seja, os amazônidas presentes em todos os níveis da população.

Diante desses singelos comentários já considerados por mim em outras tantas oportunidades é de bom alvitre que todas as ações e esforços de cunho ético, legal, transparente e ambiental sejam realmente aplicados na Amazônia Brasileira, com seus 522 milhões de hectares, que ostentam cerca de 80% da Amazônia Continental e algo em torno de 60% do território brasileiro, principalmente em face da sua representatividade para o bem-estar da humanidade!

Para reflexão quanto ao uso correto dos termos técnicos!



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