Artículos

23

Sep 2019

Minhas Recordações da Fase Pré-Embrapa e como Estudante de Agronomia

Publicado por

Por Afonso Celso Candeira Valois, Engenheiro Agrônomo, Mestre, Doutor e
Pós-Doutor em Genética, Melhoramento e Biotecnologia de Plantas , Pesquisador Aposentado da Embrapa.

Fase Pré-Embrapa

Na qualidade de belas recordaçãos sobre o feliz desempenho da pesquisa agropecuária pioneira na Amazônia Ocidental, primeiramente havia em Manaus, a Estação Experimental de Manaus (EEM), ligada ao Instituto Agronômico do Norte (IAN), depois Instituto de Pesquisa Agropecuária do Norte (IPEAN), com sede em Belém (PA), atualmente Embrapa Amazônia Oriental, cujas instituições pertenciam ao Escritório de Pesquisas e Experimentação (EPE), depois Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuária (DNPEA), substituído pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Eram nove institutos regionais, mas em seguida o DNPEA aumentou o número para 11 institutos. Assim foram criados o Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária Meridional (IPEAME), localizado em Colombo, no Paraná – atual Embrapa Florestas –, e o Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária da Amazônia Ocidental (IPEAAOc), este pela transformação da Estação Experimental de Manaus (EEM), localizado no famoso Km 30 da Rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara), atualmente Embrapa Amazônia Ocidental.

Quando eu e meus companheiros João Maria Japhar Berniz e Antônio Francisco Souza, inicialmente lotados no IPEAN, chegamos à Manaus no segundo semestre de 1968 (muito salutar anotar que a minha Carteira de Trabalho data de 03/03/1968, como pesquisador em princípio, do EPE), transferidos para a EEM, encontrou-se o colega Luiz Fernando Monteiro, como Chefe da EEM, para em 1969 passar a ser chamada de Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária da Amazônia Ocidental (IPEAAOc) – após, a palavra Experimentação foi excluída dos nomes dos 11 institutos do DNPEA, pelo claro entendimento de que experimentação também é pesquisa!

Depois receberam-se valorosos companheiros, como o saudoso Acilino do Carmo Canto (1941-2018), vindo do IPEAN (para passar uma chuva e depois ficou- conforme ele mesmo falava); Fernando Antônio Araújo Campos; Luiz Januário Magalhães Aroeira; Álfio Celestino Rivera Carbajal; Luis Carlos Almeida; Maria Pinheiro Fernandes Corrêa; Alba Luci Machado Rego, além do nosso grande amigo Alfredo Kingo Oyama Homma. Com Homma, ainda como pesquisador ligado ao estado do Amazonas, eu e ele produzimos e publicamos no Boletim Técnico do IPEAAOc, número 2, 41p., 1972, uma pesquisa inédita sobre a “Análise Econômica da Descorticação Mecânica na Cultura da Juta (Corchorus capsularis)- Protótipo Iseki Mitsui”, que foi o primeiro trabalho científico com a firme participação do Homma, como pesquisador. Para recordar, a cultura da juta foi introduzida no Brasil pelo município de Parintins (AM), em 1931, sendo o grande autor dessa nobre proeza de caráter social, econômico e ambiental, o bisavô do Homma!

Como fato histórico, mais para frente, a Embrapa fundou em Manaus,

o Centro Nacional de Pesquisa de Seringueira- CNPSe (depois Centro Nacional de Pesquisa de Seringueira e Dendê- CNPSD)[1], que eu mesmo fiz questão de colocar a data de início das atividades para 03/03/1975 (uma segunda-feira), para bem iniciar a vida institucional feliz e cintilante da brilhante Unidade – atualmente Embrapa Amazônia Ocidental, como também a Estação Experimental de Manaus (EEM) foi transformada em Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Estadual de Manaus (UEPAE de Manaus), dentro da denominação oficial da Embrapa (Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Estadual). A Deliberação da Diretoria Executiva nº 027/80, de 20 de outubro de 1980, ampliou o Centro Nacional de Pesquisa de Seringueira para Centro Nacional de Pesquisa de Seringueira e Dendê.

Em seguida, a Embrapa fundiu o CNPSD e a UEPAE de Manaus em uma única Unidade Descentralizada, ou seja, a Embrapa Amazônia Ocidental[2]. Ainda como fato histórico, a área de aproximadamente 1.694 ha, desta feita já pertencente à Embrapa, foi dividida entre as duas novas unidades. A UEPAE herdou a infraestrutura e o apoio logístico da EEM, enquanto que o CNPSD teve que começar do zero!

Depois, com o suporte do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), houve a construção e o aparelhamento do CNPSD, como também a própria UEPAE recebeu melhoramentos significativos na infraestrutura e apoio logístico. No Centro, inicialmente, foram construídos barracões para escritórios, almoxarifado, depósito de materiais, garagem com oficina mecânica e restaurante rústico, principalmente de madeira – até aos dias atuais existem algumas dessas instalações muito úteis, para a minha satisfação. Eu e o saudoso Vicente Haroldo de Figueiredo Moraes (1937-2008) traçamos os primeiros croquis – caixa d’água (poço semiartesiano com 60 metros de profundidade), além da abertura e sistematização do primeiro campo experimental e de outras benfeitorias essenciais para o início das atividades, enquanto havia a terraplanagem da área e edificação das construções modernas, propriamente ditas. Atualmente estão ampliadas e melhoradas, graças a Deus! Enquanto isso, a base física do  CNPSe era construída, nos alojamos em um prédio antigo, mas funcional, localizado à Rua Monsenhor Coutinho, ao centro de Manaus.

Recordo que em um dia inusitado, a temperatura do meio ambiente em Manaus ficou entre 15-18 graus Celsius, fez frio, abriu-se as janelas das nossas salas e apreciamos pessoas usando casacos e outros agasalhos apropriados ao clima frio, do lado externo do citado prédio. Pela parte da noite houve uma partida de futebol no Estádio Vivaldo Lima, entre um time amazonense e outro paraense, onde a maioria dos torcedores saiu bem antes do encerramento da partida devido ao frio considerado intenso. Era o efeito da friagem que desce dos Andes, que muitas das vezes alcança Manaus!

Ainda para a minha grande satisfação, o nome IPEAAOc foi escrito em calçada em frente ao prédio onde antes funcionava a sede da EEM, pela minha instrução e autorização, além da feliz ação gloriosa do saudoso Senhor Mário  Almeida, que também foi uma especial pessoa que muito nos ajudou! Agradeço muito aos nobres colegas que vieram depois e mantiveram essa recordação de muito valor cultural, até sentimental!

Ainda como fato histórico, no Centro Nacional de Seringueira, a luz elétrica era advinda de geradores, muito dispendiosos. Então, a Embrapa contribuiu com recursos financeiros para a Companhia de Eletricidade do Amazonas (CEM) levar a rede elétrica passando pelo Km 30, indo até ao Km 60 (comunidade de japoneses, onde até aos dias atuais se destaca pela grande produção de ovos).

Eu falava mesmo de peito aberto que a Embrapa tinha dado uma preciosa contribuição à eletrificação rural no Amazonas, pois na época, se não houvesse o valioso aporte de recursos financeiros oriundos da Embrapa para a dita rede de iluminação passar pelo Km 30, jamais a CEM teria disponibilidade de verba suficiente para estender esse grande benefício às comunidades até ao Km 60 da Rodovia AM-010.

Em termos de campo experimental propriamente dito, o IPEAAOc herdou da ex-EEM o campo do Km 30, a Estação Experimental de Maués (pesquisas com o guaranazeiro – onde eu e um competente pesquisador americano do Corpo da Paz, que trabalhava conosco, implantamos um experimento inédito sobre o mecanismo de floração e frutificação do guaranazeiro e publicamos no Boletim Técnico do IPEAAOc, número 4, p. 35-58, dez. 1974, bem como, o famoso campo experimental de várzea do Caldeirão (durante o dia, o Rio Solimões armazena a energia solar e no período da noite é liberado um forte calor, em cujo clima era muito difícil dormir – haja carapanã! Daí o nome), atualmente compõe o município de Iranduba, sendo ampliado para a Terra Firme, onde ocorre a preciosa Terra Preta do Índio, um fabuloso solo antropogênico!

No Km 30, o IPEAAOc implantou uma área histórica de 3 ha, na qual se

instalou um experimento com 15 clones de seringueira. Com o advento do CNPSD, um fato pitoresco aconteceu. Como o novo Centro ainda não possuía um campo com seringueiras adultas, as pesquisas pioneiras de melhoramento genético, nutrição e adubação, fisiologia vegetal, entomologia e fitopatologia (inclusive houve o feliz teste de termonebulizador para o controle do fungo Microcyclus ulei, na qualidade de uma nova tecnologia que foi trazida por um competente pesquisador-consultor do RRIM- Malásia), a histórica área experimental foi carinhosamente denominada de TUDO EU! Depois, o Centro abriu outros campos experimentais, como a Área dos 10 ha e Área dos 100 ha, além da EEDA (seringueira) e EERU (dendê), onde foram instalados modernos experimentos.

Ainda como outra grata recordação, certa vez passando por Belém (PA) por volta de 1971, entrei em contato com o Dr. Eurico Pinheiro, então Secretário de Estado de Agricultura do Pará, meu ex-professor na EAA, grande amigo e parceiro em pesquisas com seringueira, e solicitei 1.000 sementes pré-germinadas de dendê Tenera (Elaeis guineensis), que em articulação com a SUDAM vinham sendo plantadas no município de Benevides (PA), já na visão estratégica de que a Amazônia Ocidental tinha inteiras condições climáticas, edáficas e topográficas para o inteiro êxito do cultivo dessa importante palmeira em bases econômicas, sociais, ambientais e políticas.

As ditas sementes foram conseguidas sem maiores delongas, conduzidas por mim praticamente “debaixo dos braços”, em caixas de papelão umidecidas com as sementes sendo envolvidas em serragem, na cabine de passageiros do avião, pois tinha receio de despachar e os importantes genótipos perecerem no bagageiro sem prestorização, a menos 40 graus Celsius. No IPEAAOc fiz as recomendações técnicas para primeiramente se estabelecer o pré-viveiro em ambiente de casa-de-vegetação rústica, depois o viveiro propriamente dito e o plantio definitivo no campo, ao lado do TUDO EU, no km 30.

Entreguei as sementes a um competente colega e logo em seguida viajei à Estação Experimental de Tefé (EET). Quando retornei verifiquei que muitas das sementes tinham sido mal plantadas nos saquinhos, e assim teve-se que retirá-las, colocá-las na posição correta e plantá-las novamente. Todo esse esforço dispendido foi bastante válido, pois o pioneirismo do IPEAAOc mais tarde foi utilizado pelo CNPSD, nas primeiras pesquisas com dendê na região, incluindo o dendê amazônico (Elaeis oleifera), o famoso caiaué!

Assim, tanto o TUDO EU, como a citada área de dendê, ainda atualmente existentes, foram fulcros para as pesquisas da Embrapa Seringueira e Dendê no Amazonas e em outras regiões da Amazônia!

Caros leitores faço questão de anotar este pequeno relato para recordar denominações, afirmar e aplaudi a excelente inciativa de muitos apoiadores solidários para a reconstrução desta bela história otimista, além de ficar bastante agradecido em fazer parte dessa valiosa trajetória, um dos fulcros para o sucesso desse muito importante processo, como grande legado para a pesquisa agropecuária na Amazônia Ocidental.

Fase de Estudante de Agronomia

Com a conclusão do meu curso científico em São Luís (MA), atualmente denominado curso médio, em 1963, no Liceu Maranhense, tive a grande oportunidade de me submeter ao exame vestibular para engenharia agronômica na capital maranhense, pois a Diretoria da Escola de Agronomia da Amazônia (EAA) que eu escolhi para alcançar esta almejada formação, teve a feliz iniciativa de oferecer esse concurso a interessados não só do Pará, mas também do Maranhão, Amapá, Amazonas e Mato Grosso. Fui incluído nos 80 vestibulandos que galgaram a tão sonhada aprovação, com representação dos citados estados, sendo o Maranhão aquele que foi privilegiado com o maior número de candidatos que obtiveram êxito.

A nova vida universitária passada em Belém se iniciou no ano letivo de 1964, quando eu e meus companheiros maranhenses tivemos que ir morar em repúblicas de estudantes, sendo um fato inusitado para a grande maioria, comigo incluído.

A primeira república onde fomos morar, denominada Casa dos Acadêmicos de Agronomia do Maranhão (CAAM), já estava formada por outros colegas veteranos, que gentilmente nos acolheram e nos acomodaram na medida do possível, com a visão de logo ser formada uma nova república por nós mesmos. A CAAM estava localizada à Travessa Lomas Valentinas, tendo ao canto o Posto Invencível (comercialização de combustíveis, pneus e peças automotivas), de frente à Avenida Almirante Barroso, nas proximidades do Bosque Rodrigues Alves, aprazível local que ostenta um rico jardim botânico, escritórios e laboratórios científicos, além de possibilitar a bem-vinda visitação pública! A CAAM também ficava próxima ao IAN, atual Embrapa Amazônia Oriental, com acesso fácil à EAA.

Recordo que nos dias de aulas formais na semana tínhamos ônibus da EAA para nos transportar até à Faculdade. Porém aos sábados, quando havia necessidade de ir à Escola para estudar ou mesmo efetuar práticas em laboratórios, como que química analítica, eu e meus guerreiros colegas íamos em ônibus de linha até ao portão do IAN, e de lá caminhávamos cerca de cinco quilômetros até à EAA.

Em um desses dias da semana, enquanto aguardávamos um dos ônibus da EAA, resguardados daquela costumeira chuva das duas horas das tarde de Belém, na Avenida Almirante Barroso aconteceu um repetino temporal, quando eu e meus colegas de república assistimos a caída de uma enorme mangueira sobre uma pobre senhora que andava sobre a estrada-de-ferro até então existente naquele local, vindo a falecer de imediato. Muito triste!

Quando fomos para Belém, teve-se a sorte da concessão de bolsa de estudos pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), o que nos possibilitou sair da CAAM e ir morar em um anexo do Hotel Central, localizado bem ao centro de Belém. Dentro dessa nova estrutura de vida e adaptação, lembro que só uns dias antes fui atentar para a primeira prova escrita que me submeti na EAA!

Após a estada nesse Hotel, nos transferimos para uma república que nós mesmos formamos, localizada à Avenida Senador Lemos, também ao centro de Belém, onde foram morar 40 estudantes, onde também contou-se com a presença de colegas maranhenses que faziam outros cursos de nível superior na bela capital paraense. Como lembrança, logo no início a SUDAM atrasou o pagamento da bolsa, o que nos obrigou a comprar fiado em feira localizada nas proximidades da república, sendo que passamos cerca de três meses nos alimentando do saudável peixe Piramutaba no almoço (cozido) e no jantar (frito), para variar um pouco! Somos muito gratos àquela bondosa pessoa que nos forneceu o alimento, com a esperança de a SUDAM nos pagar a muito bem-vinda bolsa. O pagamento foi efetuado e tudo se normalizou, Graças a Deus! Quando as colaboradoras e dignas lavadeiras iam apanhar as roupas sujas era uma assustadora montanha. As devotadas cozinheiras e demais domésticas também exerceram um hercúleo esforço e dedicação admirável para nos servir a contento! Entre esses colegas estavam João Maria Japhar Berniz e Antônio Francisco Souza, que seguiram comigo no Escritório de Pesquisa e Experimentação (EPE), Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuária (DNPEA), Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária da Amazônia Ocidental (IPEAAOc) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Diante do grande número de pessoas que tinha como fundamento estudar e de submissão às provas curriculares, houve a necessidade da formação de outras repúblicas pelo desmembramento dessa da Senador Lemos, localizadas à Avenida José Malcher, Rua Canudos, Travessa Dr. Enéas Pinheiro e Rua 25 de setembro. Inicialmente fui morar com outros colegas na república da Enéas Pinheiro (próxima à entrada do IPEAN, com acesso fácil à EAA), para depois me fixar com outros colegas na 25 de setembro. Quando eu estava no terceiro ano de agronomia, entrei para o serviço militar obrigatório, no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR), do Exército Brasileiro (EB), sendo que no período das férias na EAA, para não ficar só na república, eu ia para a casa de um primo, que era do Banco da Amazônia (BASA), a quem muito agradeço!

Recordo ainda de um grande triunfo que obtivemos junto à extinta VARIG, que foi a concessão de passagens aéreas de cortesia (gratuitas) de ida à São Luís e volta para Belém em uma das férias regulares na EAA, quando eu e meus amigos de república demonstramos muita persistência, perseverança e determinação para obter esse grande benefício, de forma ética, legal, transparente, boa vontade e grata compreensão do pessoal da referida empresa aérea! Com Deus, Nossa Senhora de Nazaré e Nossa Senhora da Conceição no comando!

Ainda como uma grata história inusitada ocorrida no nosso glorioso tempo de EAA, o relato seguinte é deveras hilariante. A Escola possuía dois ônibus que transportavam os universitários não só para o dia-a-dia na EAA, como também para eventos acadêmicos. Certa vez fomos à uma excursão para visitar plantios de arroz irrigado e receber aula prática. Partimos com a orientação de que o local não era muito distante de Belém, no município de Santa Maria do Pará, em projeto de irrigação denominado Inique. Para cumprir o itinerário programado, o ônibus onde me encontrava saiu na frente do outro ônibus.  Durante o trajeto, notou-se que o citado local não chegava, pois já se estava com mais de duas horas trafegando, quando se tinha recebido a informação de que seria o máximo de uma hora de deslocamento. Assim, o grupo resolveu questionar o motorista, que diante da dúvida resolveu parar o veículo para melhor analisar a situação que se apresentava. Para a nossa sorte, o motorista do segundo ônibus sentindo a nossa falta na entrada auxiliar para adentrar ao projeto,  resolveu ir atrás do nosso veículo que ainda se encontrava estacionado à margem da rodovia. Realmente, para a nossa sorte fomos alcançados e logo a dúvida foi dissipada. O nosso motorista entendeu que o evento seria em outro município paraense denominado São Miguel do Guamá, bem mais distante de Belém. Depois de passado o susto, a frase que reinou nesta proveitosa excursão técnica e aventureira foi a seguinte: Não confunda Inique em Santa Maria do Pará com Piquenique em São Miguel do Guamá! Coisas da vida de estudantes de primeira viagem!

A Trajetória Profissional Propriamente Dita

Após a colação de grau no auditório da própria EAA, em 08/12/1967, onde obtive a honrosa sétima colocação em uma brilhante turma de 56 engenheiros agrônomos, fui contratado pelo Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuárias do Norte (IPEAN), Belém, como recibado, em 03/03/1968, sendo que depois fui transferido para a Estação Experimental de Manaus (EEM), cidade que eu já conhecia devido ter servido como Aspirante a Oficial da Reserva no 25º Batalhão de Caçadores, do Exercito Brasileiro, na capital amazonense.

Recordo que ao me formar tive em mãos, a oferta de seis empregos, sendo que escolhi aquele onde o salário era o mais baixo (inicial de 632,00 no dinheiro da época, cujo valor salarial variava em até 2.500,00 em outras instituições do ramo), pois a esperança de sucesso da pesquisa agropecuária pública brasileira era enorme, o que se tornou realidade. Certa vez no IPEAN, o Diretor do Instituto, que tinha sido o meu didático professor de Química Orgânica na EAA (Dr. Alfonso Wisniewski), me encontrou em um corredor do referido Instituto e falou em alto e bom som: “Meu jovem, ontem eu participei de uma importante reunião em Brasília, no Ministério da Agricultura, onde o fundamento foi a criação de uma empresa pública de pesquisa agropecuária, com direito privado e autonomia para tirar os institutos do DNPEA da vala comum em que se encontram no Ministério”. Simplesmente esse evento tinha sido um importante passo para a criação da Embrapa!

Após essa contratação efetuada pelo IPEAN, eu, João Japhar, Antonio Souza e mais um colega que também foi contratado na época, Luiz Henrique Vieira (maranhense, da nossa turma na EAA, e também de república), tivemos a oportunidade inédita de seguir para um treinamento de iniciação à pesquisa, de enorme valia para o nosso progresso profissional. Primeiramente, nos juntamos a colegas de outros institutos do EPE, depois DNPEA, no IPEACO para o início do treinamento, em seguida fomos para o IPEACS para a continuação da boa nova, tendo depois retornado para o IPEACO, e após fomos novamente para o IPEACS para seguir no programa de capacitação, para em seguida eu e o Antonio Souza irmos para a CEPLAC/CEPEC, localizada em Ilhéus (BA), sendo que ficamos morando em Itabuna, no Hotel do Senhor Carneiro. Enquanto isso, Japhar e Luiz permaneceram no IPEACS para a respectiva continuação do valioso treinamento!

Depois desse bom treinamento em serviço, eu, João Japhar e Antonio Souza retornamos para Belém, e em seguida fomos alocados na EEM, sendo que a mim foi dada a missão especial de fazer pesquisas com Juta, com ênfase na produção de sementes, pois o Governo do Amazonas queria se desvencilhar do governo paraense, pois era total a dependência da produção desses genótipos em Alenquer e Monte Alegre, no Baixo Amazonas, nas excelentes condições de Terra Roxa Estruturada na Terra Firme.

Foi no Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuárias do Centro-Sul (IPEACS) que tivemos a satisfação de receber o nosso primeiro salário de 632,00 como recibados, sendo que para isto tivemos de nos deslocar da Seropédica para Campo Grande (RJ), para o recebimento em agência do Banco do Brasil. Enviei todo o meu salário para a minha estimada e saudosa mãe Cândida Candeira Valois, em São Luís (MA), como sinal de um grande reconhecimento e honra!

Ainda no IPEACS, no segundo semestre de 1968 tivemos a grande notícia da nossa passagem da condição de recibados para o regime de CLT, situação empregatícia atualmente em evidência a todos os empregados da Embrapa, embora muitos da época tivessem preferido continuar como estatutários junto ao Ministério da Agricultura!

Eu, João Japhar e Antonio Souza viajamos de Belém para Manaus por avião, que pousou no antigo aeroporto de Ponta Pelada, em uma linda tarde, sendo que logo nos dirigimos para e residência do colega Luiz Fernando Monteiro, Chefe da EEM, localizada à Avenida Leonardo Malcher, no Bairro Cachoeirinha, quando fomos muito bem recebidos. Recordo de um fato engraçado que ocorreu na nossa chegada à Manaus: Naqueles dias, o time do futebol local chamado Nacional, ou simplesmente Naça na linguagem dos seus apaixonados torcedores, estava contratando jogadores de outros estados. Assim que desembarcamos e fomos apanhar as bagagens, profissionais da imprensa nos assediaram, pois pensavam que nós três éramos os novos reforços que tinham chegado para o Nacional!

Após as apresentações de praxe, seguimos para a primeira república que moramos em Manaus, situada no local denominado Caxangá, próximo a um estaleiro, com acesso fácil à Avenida Sete de Setembro, no centro da capital amazonense, em pleno fervor da recém criada Zona Franca de Manaus.

No Caxangá fomos muito bem recebidos pelos colegas José Clodoveu, Nilton Passos, Luiz Antelmo, Cezar e mineirinho (um Técnico Agrícola), que já atuavam junto à Delegacia Estadual do Ministério da Agricultura (DEMA). O Clodoveu chegou a trabalhar conosco no IPEAAOc em um Programa ligado à parte animal denominado PLAMAM, sendo inclusive Delegado na DEMA, além de posteriormente ter sido a pessoa que assinou a minha Carteira do Trabalho com a data retroativa de 03/03/1968, como pesquisador do DNPEA.

Já como empregado da Embrapa, o saudoso Luiz Antelmo foi um dos chefes da Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Estadual (UEPAE) de Manaus, além de antes ter chefiado a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) em Roraima, tendo me proporcionado a feliz e sentimental oportunidade de me levar para visitar o túmulo do meu avô materno, que eu não conheci em vida. Na bela oportunidade, eu estava em viagem de trabalho à Boa Vista.

O Cezar, um peruano de garra, que se formou em Engenharia Agronômica na ENA, em Seropédica (RJ), que além de uma pessoa do bem era bastante competente e amiga, tendo sido a responsável pelo plantio da grama do Estádio Vivaldo Lima (atualmente Arena da Amazônia), cuja inauguração foi feita pela vitoriosa Seleção Brasileira de Futebol, da Copa do Mundo de 1970, no México.

Como outra recordação agradável, em suas atividades profissionais, o Cezar dirigiu a delimitação dos primeiros terrenos do Bairro Alvorada I, atualmente um dos mais movimentados de Manaus, e eticamente doou lotes para colegas do IPEAAOc, sendo que o meu, preferi encaminhar para um dos empregados que atuavam com maestria na oficina mecânica do IPEAAOc. Muito tempo depois tive a satisfação de reencontrar o Cezar próximo à sua residência onde morava no Conjunto Eldorado, em Manaus. O Nilton se tornou um grande empresário da citricultura, conduzindo o seu plantio em área próxima ao IPEAAOc.

Após a moradia no Caxangá, eu, João Japhar e Francisco Souza fomos residir em locais diferentes, sendo que eu fui morar em pensão próxima à Rua Miranda Leão e depois, em outra situada à Avenida Joaquim Nabuco, bem como no próprio alojamento da DEMA, localizado nesta mesma Avenida, onde também morava o Delegado da DEMA, Senhor Mário Malafaia. Este último, tempos depois teve a infelicidade de estar naquele trágico voo da Gol que caiu no trajeto de Manaus para Brasília, onde ninguém escapou com vida!

Após, eu, João Japhar, Antonio Souza, Acilino do Carmo Canto (egresso do IPEAN) e Antonio Augusto (Engenheiro Agrônomo do MA, maranhense)  e Nilson Pires (Seção Financeira do IPEAAOc, egresso do IPEAN) montamos uma república em uma vila localizada à Avenida Leovegildo Coelho e depois outra na mesma vila, sendo que como grata recordação, eu e Fernando Monteiro, em uma noite inspirada, começamos a escrever a primeira Circular Técnica do IPEAAOc, de título “Produção de Sementes de Juta no Estado do Amazonas”, com base nos inúmeros experimentos que eu instalei em vários locais.

Ainda como recordação não grata, certa vez em viagem oficial para Belém, na costumeira “pelada” do sábado em um campinho do IPEAN, à tarde, infelizmente eu cai e quebrei o osso rádio do braço esquerdo, na tentativa de aplicar um drible em um colega, quando eu mesmo escorreguei sob uma chuva torrencial. Fui profissionalmente atendido pelo Dr. Maradei, mas no outro dia cedo eu teria de retornar para Manaus.

Em vista disso, o Dr. Maradei fez a devida proteção e me encaminhou ao Dr. Júlio Torres, cuja operação realizada em Manaus foi muito bem sucedida- foi colocada platina com parafusos e costurados 11 pontos no citado braço. Quando viajava de avião eu tinha de levar a radiografia do braço engessado para mostrá-la à vigilância no momento do embarque, pois os metais eram detectados! Foi nessa última república da vila da Leovegildo que eu fiquei repousando por alguns dias, dentro das normas regulamentares oficiais.

Aliás, nesse caso do braço quebrado, recordo que certa vez eu e outros colegas do IPEAAOc e da DEMA saimos para uma atividade de pesquisa e assistência técnica em área de várzea junto a produtores rurais, tendo como transporte uma lancha denominada Guaraná pertencente ao Ministério da Agricultura. No intervalo para o almoço, que foi no interior da própria embarcação, três colegas pegaram a canoa que estava sendo conduzida a reboque e sairam para pescar com vara, anzol e colher (equipamento que atrai o peixe Tucunaré). Eu fiquei na citada lancha devido me encontrar com o braço esquerdo engessado.

Depois de cerca de 3 horas os mesmos retornaram à citada lancha conduzindo exatos 89 Tucunarés, de bom tamanho, que foram saboreados em refeições. O que me espantou foi o número elevado de peixes capturados em tempo relativamente curto, demonstrando a fartura de pescados naquela região próxima à Manaus, sob a influência do Rio Negro!

Ainda residi em outra república localizada no Bairro Aparecida, onde também moravam o Acilino Canto e João Japhar, entre outros colegas de outras instituições. Ainda estive em um alojamento que organizamos no próprio escritório do IPEAAOc, localizado ao centro de Manaus, à Rua Miranda Leão. Depois fui morar em casa alugada, em uma vila situada à Avenida Borba, no Bairro Cachoeirinha, onde antes moravam o Japhar e família, pois o mesmo tinha partido para o curso de Mestrado na Universidade Federal de Viçosa (MG). Nesta ocasião eu me casei, comprei uma casa no Conjunto Residencial Kissia (próxima ao Estádio Vivaldo Lima), encerrando assim, a vida de morar em república ou mesmo só, em Manaus!

Nessa boa fase no IPEAAOc tive a oportunidade de fazer um excelente treinamento no Instituto de Pesquisa IRI, localizado em Matão (SP), onde pela parte da manhã era o estudo da língua inglesa e na parte vespertina eram os trabalhos de pesquisa propriamente ditos. Pesquisei o elemento Fósforo em três solos de cerrados da região de Matão, que se traduziu na segunda Circular Técnica de minha autoria. Nesta ocasião, inclusive houve a minha primeira apresentação de um trabalho técnico-científico em público, quando tive que fazê-la no escasso tempo de 10 minutos, abrindo outros 5 minutos para as perguntas e respostas! O colega Fernando Campos, também do IPEAAOc,  fez parte desse importante treinamento em conjunto comigo, além de colegas de outros institutos do DNPEA. No período, eu e o Fernando efetuamos uma interessante viagem à Uberaba (MG), para participar de importante evento sobre gado bovino.

Ainda no IRI tive a ideia de viajar à Piracicada (SP), para verificar no Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ), a oportunidade de cursar o Mestrado, no que tive total êxito. Para isso contei com a honrosa colaboração do colega do citado treinamento, Aroldo Linhares, do IPEAS, que indicou dois colegas para me acompanharem em Piracicaba, que já faziam curso no Departamento de Agricultura da ESALQ, isto é,  os colegas Clóvis Wetzel (já falecido) e Magali Wetzel (competente casal gaúcho também lotado no IPEAS, sendo que posteriormente os dois se tornaram meus grandes amigos em unidades da Embrapa, em Brasília), que foram de utilidade ímpar para eu me inscrever no referido curso, que se traduziu em um dos fundamentos para o minha carreira profissional na Embrapa.  Muito agradeço aos três!

Como impulsão ética ao meu aceite nesse curso na ESALQ, o IPEAAOc recebeu a visita de uma preciosa equipe transdisciplinar que já estudava sobre a viabilidade da criação da Embrapa. Nessa equipe estavam o saudoso Dr. José Irineu Cabral (que depois se tornou o primeiro diretor-presidente da Embrapa), além do Dr. Almiro Blumenschein (competente professor, Chefe no Departamento de Genética e Instituto de Genética da ESALQ, depois meu coorientador no Mestrado), que se tornou um dos primeiros diretores-executivos da Embrapa- grande amigo do Centro Nacional de Pesquisa de Seringueira e Dendê (CNPSD) – que muito se empenhou pelo êxito obtido do adicional de 25% aos salários dos empregados da Embrapa na Amazônia- resultado auspicioso do grande esforço desenvolvido por colega Vicente Morais e modestamente por mim. Nessa visita, o Dr. Almiro ficou conhecendo parte dos trabalhos, sentiu o potencial das pesquisas efetuadas e em andamento, ficando meu conhecido.

Certa vez cheguei à Brasília para tratar de vários assuntos ligados ao CNPSD, dentre eles, a salubridade de 25% para os empregados, junto ao Dr Almiro. Quando abri a agenda em frente a esse Diretor amigo da Amazônia, ele viu essa graciosa percentagem, apontou e se adiantou: Valois, isto já está resolvido, conseguimos ontem à noite. Modestamente para mim essa excelente notícia foi um alívio, pois o objetivo estava conseguido, bem como a meta pretendida, dentro da Lei!

Para não olvidar, uma das justificativas que o competente Vicente Morais estrategicamente colocou na bem elaborada carta enviada à DE da Embrapa foi o elevado custo de vida em Manaus e altos preços de passagens aéreas, o que dificultava sobremaneira, a fixação do pesquisador, especialmente na Amazônia Ocidental. Foi em apenso, um recorte do Jornal “A Crítica”, mostrando o avultado preço do quilo do tomate em relação a outros estados, como exemplo, que eu mesmo fiz questão de enfatizar na reunião de trabalho efetuada em Brasília, com o Diretor Almiro, citada acima.

Como todos sabem, a grande limitação para o sucesso dos cultivos de tomateiro a céu aberto na Amazônia é a ocorrência endêmica e bastante agressiva da bactéria Ralstonia solanacearum. No meu pós-doutorado nos Estados Unidos, já como pesquisador da Embrapa, esse foi um dos temas de pesquisa, quando efetuei a fusão de protoplastos entre Tomate e Jurubeba e Tomate e Cubiu, por serem essas duas espécies imunes à doença. A Jurubeba e o Cubiu são da mesma família botânica do Tomate, ou seja, Solanaceae.

Outra técnica que os produtores têm utilizado é usar o cavalo de jurubeba enxertado com tomate, mas a longevidade não tem sido grande (faltam mais estudos de compatibilidade cavalo-cavaleiro)- vi essa técnica pela primeira vez sendo executada com sucesso por um agricultor japonês na localidade Areaú, à margem da Rodovia que liga Manaus à Manacapuru.

A outra é fazer o cultivo em ambientes cobertos, bem controlados, com ênfase no tratamento adequado do solo. Essa última técnica tive a boa oportunidade de verificar em um conjunto de casas-de-vejetação dos Adventistas, localizado no município de Rio Preto da Eva (AM), nas proximidades de Manaus!

Recordo ainda de um fato inusitado ocorrido diante da pesquisa de fusão de protoplastos acima referida. Quando eu estava efetuando esse trabalho nos Estados Unidos tive a satisfação de receber a visita do colega Evaristo Miranda, competente pesquisador da Embrapa, que mantinha boa relação profissional com o Jornal “O Estado de São Paulo”. O Miranda ficou muito animado com a citada pesquisa e quando retornou ao Brasil elaborou um artigo que foi publicado no Estadão com o seguinte título: Tomabeba ou Jurumate? A referência foi para a possibilidade de obtenção do cíbrido entre Tomate-Jurubeba. Agradeço ao Evaristo Miranda pela feliz iniciativa!

O Vicente Morais, ex-Chefe do CNPSD, egresso do IPEAN, competente pesquisador de destacada inteligência, não mais se encontra entre nós, mas entre o seu grande legado se encontram a persistência, perseverança e determinação de lutar e deixar para todos os empregados da Embrapa lotados na Amazônia Ocidental e mais no Amapá, essa vantagem salarial de 25%, de extrema relevância, com o grande apoio do Dr. Almiro! Que Deus esteja lhe conservando em lugar sagrado!

Eticamente, devo ainda frizar que em princípio, esse benefício não incluía o pessoal da Embrapa lotado em Belém (PA), devido ao custo de vida ser bem inferior ao observado nas outras capitais da Amazônia. No entanto, após o bem-vindo êxito obtido, o senador Jarbas Passarinho, já falecido, acreano, ex-governador do Pará, ex-ministro, obteve sucesso na extensão desse ganho de salubridade a todos os empregados da Embrapa lotados na Embrapa Amazônia Oriental, com bastante justiça!

Quando o Vicente Morais estava à procura de moradia para fixar residência em Manaus e iniciar a organização do Centro Nacional de Pesquisa de Seringueira tive o prazer de acomodá-lo por poucos dias na casa onde morava à Avenida Borba. Em uma noite lhe solicitei para revisar o artigo que eu estava escrevendo sobre a floração e frutificação do guaranazeiro. Ele executou esta tarefa com maestria, sugerindo acrescentar a proposição de um correspondente ciclo de alteração hormonal que poderia ser dos seguintes tipos: auxina/giberelina, auxina/ácido abscísico ou giberelina/ácido abscísico nesse fenômeno. Na publicação do artigo no Boletim Técnico do IPEAAOc, (4): 35-58, dez. 1974 , está incluído o devido agradecimento ao Vicente Morais por esta e outras sugestões inéditas aplicadas ao guaranazeiro!

Eticamente devo ainda enfatizar que foi o Vicente que me indicou ao Dr. Almiro para assumir o cargo de primeiro Chefe-Adjunto Técnico do CNPSD, onde permaneci por sete anos consecutivos, tendo logo em seguida rumado para o Doutorado na ESALQ, ficando o José Carlos Nascimento ocupando o cargo. Mais à frente retornei à Manaus para ser Chefe-Geral do CNPSD, por dois anos, por intervenção de outro grande Diretor-Executivo que tivemos na Embrapa, que foi o Dr. Raymundo Fonsêca

Como componente do citado grupo de bons pesquisadores que estiveram no IRI, tempos depois, já na Embrapa perdeu-se o colega Irineu Bays, excelente melhorista, criador da soja Tropical, na sinistra queda de avião no trajeto entre Imperatriz e Balsas, ambas no Maranhão, onde também estavam mais três competentes colegas da Embrapa Soja. Antes dessa nefasta viagem, os mesmos passaram comigo na sede da Embrapa, ainda localizada no Edifício Venâncio 2.000, para mostrar uma importante atividade que iriam executar com soja no sul do Maranhão. Estas nefastas perdas foi uma enorme lástima!

Outra relevante contribuição do IPEAAOc, foi a implantação das pesquisas com cacaueiro em sua base física do Km 30. Certo dia recebi uma ligação telefônica do Dr. Paulo de Tarso Alvim, aquela mesma pessoa que gentilmente tinha dado guarida especial para mim e Antonio Souza naquele excelente treinamento efetuado na CEPLAC/CEPEC. O Dr. Paulo estava hospedado em alojamento do INPA, cuja sede ainda estava localizada ao centro de Manaus, antes da suntuosa sede do Aleixo.

A missão do Dr. Paulo Alvim, que depois se tornou outro grande amigo da Embrapa, era de fazer um estudo preliminar para a implantação de pesquisas com cacaueiro no Amazonas, e queria visitar a base física do IPEAAOc para vislumbrar essa possibilidade. Assim, o levei ao Km 30, ele fez os levantamentos necessários e retornamos para Manaus.

O Dr. Paulo, fisiologista vegetal de elevado conhecimento e experiência que infelizmente já faleceu, era superintendente técnico que implantou a COMISSÃO EXECUTIVA DO PLANO DA LAVOURA CACAUEIRA/CENTRO DE PESQUISAS DO CACAU (CEPLAC/CEPEC) em conjunto com o Dr. Haroldo e Dr. Brandão, foi quem teve a feliz iniciativa de alocar o colega José Carlos Nascimento em Manaus, então extensionista na CEPLAC, para implantar os trabalhos com cacaueiro no Amazonas, tendo como base física, o Km 30, sob a guarida do IPEAAOc! Dentro do aspecto técnico-científico, assim como eu fiz para seringueira, eu e o José Carlos implantamos no campo do km 30, um experimento inédito com cacaueiro, onde foi efetuada a estimativa de parâmetros genéticos sem utilização de testes de progênies, cujo artigo posteriormente foi publicado pela revista Pesquisa Agropecuária Brasileira (PAB), 21 (9): 965-970, set.,1986.

Para recordar, mais para frente, com a criação da Embrapa, a Empresa teve como referência duas instituições para implantar o seu sistema de planejamento de pesquisa, isto é, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG) e a CEPLAC/CEPEC. Um grande esforço foi orientar os projetos de pesquisa sem a figura dos subprojetos como se fazia no DNPEA, que foi um grande desafio, onde se obteve pleno êxito depois de muito denodo. Esse tipo de planejamento era corriqueiro no CEPEC!

Destaco que no desenvolvimento das pesquisas com seringueira e dendezeiro fiz uma adaptação do Modelo Circular de pesquisa da Embrapa, implantado pelo saudoso e competente Diretor-Executivo, Dr. Edmundo Gastal, naquilo que chamei de Modelo Circular Regionalizado Integrado, e coloquei para funcional nos polos de pesquisa que implantei no Amazonas, Pará, Amapá, Bahia. Minas Gerais e São Paulo.

No polo da Bahia envolvi a CEPLAC/CEPEC, aproveitando a autorização específica advinda da Presidência da República, do Gen. João Batista Figueiredo, para o aumento do número de pesquisadores do CNPSD, especialmente para seringueira. Foi assim que entre os novos pesquisadores contratados foram alocados no CEPEC, os excelentes fitopatologistas Álvaro e José Clério, infelizmente tendo este último falecido recentemente. O colega Álvaro atualmente é pesquisador da Embrapa Florestas.

 Ainda no IPEAAOc tive a felicidade de seguir para o Mestrado no excelente Departamento de Genética, da ESALQ-USP, em Piracicaba (SP), concretizando os esforços acima referidos, quando apresentei, com sucesso, a dissertação de título “Efeito da seleção massal estratificada em duas populações de milho e na heterose dos seus cruzamentos”, que depois foi publicada pela Revista Pesquisa Agropecuária Brasileira, 18 (10); 1099-1107; 1983, que se juntou aos demais trabalhos de pesquisa que tive a sorte e o dever de montar e publicar ainda no tempo do nosso cintilante IPEAAOc!

Outra pesquisa de destaque efetuada no campo experimental foi Km 30 foi a síntese do milho “Composto Manaus”, quando utilizei seis variedades selecionadas em área de produtores e as coloquei no citado Composto, incluindo o milho crioulo, de espiga bem desenvolvida que ocorria em Roraima. Devido ao clima favorável de Manaus, eu fazia dois ciclos de seleção por ano, o que apressou a citada síntese. O lote experimental era plantado ao lado do prédio da sede do IPEAAOc, de modo que as pessoas que passavam pela rodovia AM-010 podiam enxergar. Certa vez eu fui a trabalho para o município de Itacoatiara em ônibus de linha, quando ouvi a seguinte  conversa entre dois passageiros: Pois é compadre, eu não sei como eles conseguem ter milho plantado e produzindo durante todo ano nessa área!

Outra passagem bem interessante no IPEAAOc foi que devido à distância entre o Km 30 para o centro de Manaus, que muitas vezes dificultava a comunicação e outras funcionalidades de caráter administrativo, foram mantidos contatos com a Secretaria de Produção Rural para a cessão de uma razoável infraestrutura localizada nas imediações da Secretaria, no bairro Aleixo, que foi utilizada pelo Instituto para a instalação de escritórios e outras dependências administrativas, incluindo a organização de um bom auditório para apresentação de seminários e outras reuniões, permanecendo as atividades técnicas no Km 30.

Foi essa base física que primeiramente serviu para o Vicente Morais, recém-chegado do IPEAN, usar uma das salas para começar a montar o Centro Nacional da Pesquisa da Seringueira, denominação da época antes da inclusão do dendê, o que se traduziu em importante marco histórico envolvendo a transição entre o DNPEA e a Embrapa no Amazonas, sob a égide do IPEAAOc.

Outro marco sentimental na minha vida particular no IPEAAOc, foi que certa manhã, em 17 de abril de 1975, deixei essa base do Aleixo em direção ao Palácio da Justiça do Amazonas, para a efetuação do meu matrimônio com Marília Rodrigues Alves, grata pessoa que eu encontrei em uma das viagens realizadas à Estação Experimental de Tefé (EET)!

Essa Estação estava localizada em área de cerca de 120 ha, nas proximidades do centro de Tefé, onde eram lotados 22 funcionários estatutários do Ministério da Agricultura, considerando o pessoal administrativo e trabalhadores do campo. A principal atividade era a extração racional da borracha da seringueira, sendo o látex defumado pelo método tradicional, para formar as bolas de borracha com cerca de 10 kg e transportadas para Manaus, onde eram formalmente comercializadas, dentro da Lei.

Os principais clones utilizados eram principalmemte, o Tjir 1, GT 1, GA 1301, RRIM 600, IAN 717, IAN 873, além de genótipos de outras espécies como a Hevea pauciflora, Hevea guianensis e Hevea nitida. A Estação tinha uma infraestrutura composta por escritórios de administração, almoxarifado, barracão, depósitos, poço artesiano e casa de hóspedes, onde eu ficava acomodado quando ia para Tefé.

Lá labutavam pessoas extremamente destemidas e comprometidas com a boa execução das atividades, onde pode-se destacar os senhores Dernízio (responsável pela EET), Raimundo Vieira, José Bacelar, Antonio Bacelar, José Lemos, Avelino, Carlos Mendonça, Lourenço, Manoel, além de muitos outros.

Devido à deficiência de pessoal na sede do IPEAAOc, a grande maioria desses voluntariosos funcionários foi transferida para Manaus. Já no funcionamento da Embrapa, por solicitação da Prefeitura Municipal de Tefé, a área foi cedida pela troca com 3.000 hectares localizados na área da Empresa Amazonense de Dendê (EMADE), onde o CNPSD implantou experimentos com dendê.

Nessa área privilegiada, antes EET, foi feito assentamento residencial para civis e implantada uma boa infraestrutura do Exército Brasileiro, com Batalhão de Infantaria de Selva e Quartel de Logística. Vale ainda destacar que em frente à EET era mantida uma Igrejinha Católica, em pleno funcionamento, atualmente existente no local!

Inúmeras outras lembranças de realce do tempo do IPEAAOc, charmoso instituto caçula do DNPEA, podem ser enfatizadas. Houve um tempo em que esse instituto só possuía dois pesquisadores, eu atuando em pesquisa vegetal, e o Acilino do Carmo Canto (citado acima), recém-chegado do IPEAN, trabalhando em pesquisa animal. Foi da mais alta valia a contratação dos primeiros seis Técnicos Agrícolas, que muito nos ajudaram nos trabalhos de campo e em laboratórios, sendo que alguns atualmente fazem parte do elenco de empregados da Embrapa Amazônia Ocidental. Ainda vale recordar, que o IPEAAOc contou com dois competentes norte americanos do Corpo da Paz, e também alemães da Agência de Cooperação Técnica Alemã (GTZ), pesquisadores e laboratoristas, excelentes aos trabalhos de pesquisa do instituto!

Na época, eu e Acilino elaborávamos muitos projetos e subprojetos de pesquisa, visando à captação de recursos financeiros e materiais para as pesquisas no âmbito do DNPEA, mas infelizmente pouco se conseguia, o que nos obrigava a buscá-los em outras fontes nacionais e internacionais. Aqui se destaca aquela frase histórica do Diretor do IPEAN, Dr. Alfonso Wisniewsky, citada anteriormente neste singelo relato, sobre a necessidade imperiosa da criação de uma empresa pública de direito privado, com vistas a tirar a pesquisa agropecuária brasileira da “vala comum” do Ministério da Agricultura, o que posteriormente se tornou realidade!

Mesmo assim, as dificuldades não nos desanimaram, fomos atrás das oportunidades para afastar as ameaças, tendo como simples exemplos, aqueles meus gestos de consegui o jeep quatro portas junto à Secretaria de Produção Rural do Amazonas, incluindo bem-vindas 20 toneladas de calcário calcítico para a correção de solos em áres experimental do Instituto, bem como, o modesto, mas valioso acervo bibliográfico doado pela Biblioteca da Escola Nacional de Agronomia (ENA), localizada no famoso Km 47, no Rio de Janeiro. Outros colegas também obtiveram êxito em conseguir bens financeiros e materiais para o IPEAAOc, através de projetos muito bem formulados e aplicados. Tive mesmo a primazia de enfatizar aos meus colegas e orientados a grande necessidade de muito se pesquisar na Amazônia em busca das tecnologias apropriadas, diante das sérias lacunas existentes na grande e importante região do nosso país! Isso foi feito com enorme galhardia a começar por mim mesmo, na qualidade de um singelo exemplo!

Formou-se inclusive, uma pequena vila composta por seis simples casas construídas de madeira, bem divididas, no km 30, que foram de substancial importância para abrigar famílias de empregados casados, como também solteiros, em local digno e funcional! Lembro que em época do Natal, o Acilino Canto colocava em seu carro particular muitos presentes adquiridos por ele mesmo e os distribuía para os filhos dos empregados residentes, como um lindo gesto de caráter humanitário!

Na bela história do IPEAAOc, recheada de fatos muitas das vezes inusitados, três passagens adicionais podem ser mencionadas: 1- Através de convênio com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas desde o tempo da EEM, o Instituto recebeu presidiários para o reforço aos trabalhos de campo, com destaque para dois remanescentes, o Manoel e o Viana. Este último, muito trabalhador e cumpridor dos seus deveres, ganhou a minha confiança, a ponto de, em conjunto com outros empregados da época, como Estelito e Chico Dias, munidos de ferramentas adequadas, me acompanhava até ao fim dos 1.694 ha do Instituto, em meio à floresta densa e áreas de campina, com topografia bem acidentada em muitos locais, para onde eu sempre me deslocava para inspecionar e evitar invasões de posseiros à citada área oficial- devo acrescentar que ao fim da área sempre se encontrava uns plantios de abacaxi de invasores, sendo que às vezes nos alimentávamos dos saborosos frutos com vistas a enfrentar o caminho de retorno à sede do IPEAAOc ; 2- Em outra oportunidade, o IPEAAOc recebeu o bem-vindo reforço de cerca de 20 trabalhadores de campo, onde a metade era composta por mulheres destemidas que enfrentavam o sol e a chuva na execução das atividades de capina, plantio, colheita, processamento, armazenamento e limpeza nas áreas experimentais, além de apoio aos laboratórios, de maneira cuidadosa e atenciosa; 3- Em uma época, o Ministério da Agricultura enviou para vários locais da Amazônia, um total de 98 Jumentos, que devido às intempéries e falta de adaptação ambiental, a grande maioria sucumbiu, sendo que somente dois permaneceram nos trabalhos no IPEAAOc, onde um era um animal dócil e inteligente, chegando mesmo a passar por debaixo de uma cerca de arame farpado de maneira sorrateira e cuidadosa, o que impressionava a todos nós; 4- No Km 30 se possuia um limitado número de equipamentos agrícolas, como roçadeira, arado, grade, plantadeira, sulcador, carroça, triturador e um pequeno trator, que era chamado carinhosamente de “bodinho”, de múltipla utilidade!

No km 30 foi implantada uma Estação Climatológica pelo Ministério da Agricultura, para a coleta de dados de temperatura, pluviometria, umidade relativa do ar e velocidade do vento, que apesar de ter sido instalada em local impróprio, à margem da Rodovia AM-010 (um enorme defeito das instituições do Brasil que lidavam com o tema, devido à interferência danosa e mascaramento dos dados), que mesmo assim foi útil às pesquisas efetuadas no Instituto. Dados climáticos também eram coletados no Campo Experimental do Caldeirão e também na Estação Experimental de Maués, além da EET!

Outro dado relevante para recordar é no sentido de que tanto o DNPEA e a ABCAR (Associação Brasileira de Crédito, Assistência Técnica e Extensão Rural), a coirmã do DNPEA, resolveram realinhar a questão e melhorar a articulação entre a pesquisa, assistência técnica e extensão rural e o produtor rural. A assistência técnica e extensão rural faziam a ponte entre a pesquisa e o produtor, mas infelizmente era quebrada constantemente. Assim, as duas instituições do Ministério da Agricultura estabeleceram a alocação de um extensionista das ACARs em cada instituto de pesquisa do DNPEA. Para o caso do IPEAAOc, a ACAR-Amazonas alocou o extensionista Paulo Iemine de Rezende, que além de um excelente profissional, era uma pessoa amiga que efetuou com rara maestria a sua magna função de articulador entre a pesquisa-extensão-produtor rural, obtendo elevado desempenho. Certa vez, participando em reunião conjunta DNPEA-ABCAR, em Brasília (DF), tive a grande satisfação de receber a muito bem-vinda notícia de que os articuladores do IPEAL (Instituto localizado em Cruz das Almas-BA) e do IPEAAOc foram os que obtiveram as melhores avaliações nas atividades desenvolvidas, considerando os critérios holísticos aplicados. Esta foi mais uma auspiciosa marca alcançada pelo IPEAAOc, levando em conta o efetivo e eficaz trabalho do extensionista Paulo, com o total apoio dos colegas pesquisadores do Instituto!

Recordo também, que o IPEAAOc sempre manteve excelente relacionamento com a ACAR-AM, especialmente no desenvolvimento de diversos eventos técnico-científicos, implantação e condução de unidades de observação e de demonstração para produtores rurais, dias-de campo para apresentar novas tecnologias apropriadas aos extensionistas e produtores e outras atividades de realce. Destaco uma excelente atividade efetuada em conjunto, tendo como local uma área de várzea alta, na Ilha da Paciência, frente à cidade de Itacoatiara (AM), onde foram montados e conduzidos experimentos com Juta e outros cultivos.

Na ACAR, desenvolveu-se boa articulação com colegas como o Sílvio, Paulo, Marcílio, Orlando, Alfredo, Jayme, Heráclio, Colnago, Antonio Maria e tantos outros, muitos egressos da Universidade Federal de Viçosa (MG), a ponto de geralmente aos sábados à tarde, praticar-se uma animada “pelada” no campo de futebol da Maromba, que era um bom centro de treinamento de extensionista da ACAR.

Vale ainda recordar, que o DNPEA, apesar das dificuldades conjunturais, em 1974 doou à Embrapa uma excelente infraestrutura e apoio logístico dos seus institutos, além de 872 pesquisadores, 17 % com mestrado e apenas dois colegas com doutorado, inclusive nos Estados Unidos, que foram relevantes para a nova empresa pública que estava se formando com bastante esperança.

Como exemplo, quando eu passei do DNPEA para a Embrapa em 1974, já estava com o mestrado obtido na ESALQ-USP. Com o bem-vindo advento da Embrapa houve um acentuado salto quantitativo e qualitativo de recursos humanos, financeiros e materiais em todos os níveis, incluindo as vantagens salariais, captação de recursos em geral e na própria organização da pesquisa agropecuária no Brasil. O IPEAAOc fez parte dessa bela história com muita altivez!

Aqui enriqueço este singelo relato complementar, na qualidade de valiosas recordações, para que fique à disposição dos interessados esta sucinta história, com a assertiva de que a tribulação gera constância, acompanhada da virtude provada, desabrochando uma esperança que nunca decepciona.

Assim foi o IPEAAOc, que preservou o passado e trouxe o futuro para o presente!

Singelos Benefícios como Obrigação e Reconhecimento à EAA

Com relação à EAA, cujo prédio central tinha a forma de um imenso E, a mesma ampliou sobre maneira o número de cursos superiores oferecidos à sociedade, mudou de denominação para Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (FCAP), para atualmente se fixar no nome de Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

Na qualidade de assessor da Diretoria Executiva da Embrapa, na época, aproveitando outros bons exemplos de articulação institucional já ocorridos, tive a primazia, reconhecimento, agradecimento e o dever de instrui a formulação de um acordo de colaboração entre a Embrapa e a FCAP para o desenvolvimento do primeiro curso de pós-graduação a nível de mestrado naquela Faculdade, que na ocasião era muito bem dirigida pelo meu ex-professor, Dr. Virgílio Ferreira Libonati, de quem recebi um amável “cartão de agradecimento”, que muito me envaideceu!

O óbice para conseguir esse válido intento era no sentido de que a Faculdade, na época, não tinha o número mínimo de professores com o título de doutor, condição exigida pela CAPES para aprovação do curso, o que foi conseguido com essa junção à Embrapa.

Também, como chefe e pesquisador da Embrapa Seringueira e Dendê, através de convênio de cooperação envolvendo a Embrapa, FCAP e SUDHEVEA, na Faculdade lecionei em diversos cursos de especialização em heveicultura (Lato Sensu) para engenheiros agrônomos, que anualmente eram oferecidos!

Na visão holística, tratou-se de um grande motivo de glória, enorme satisfação e gratidão recebidas e doadas!

[1] O Centro Nacional de Pesquisa de Seringueira foi criado pela Deliberação da Diretoria Executiva da Embrapa

nº 098/74, de 16 de abril de 1975, e a Unidade de Execução de Pesquisa de Âmbito Estadual de Manaus (UEPAE de Manaus) pela Deliberação da Diretoria Executiva da Embrapa nº 028/75, de 13 de junho de 1975.

[2] A Deliberação da Diretoria Executiva da Embrapa nº 005/91, de 1º de março de 1991, alterou a denominação de Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia para Centro de Pesquisa Agroflorestal da Amazônia Ocidental, localizado em Manaus (AM).



Lea también