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May 2017

Febre Amarela (En Portugués)

Publicado por

Artigo compilado e ampliado por Afonso Celso Candeira Valois, Engenheiro Agrônomo,
Mestre, Doutor e Pós-Doutor em Genética e Melhoramento de Plantas,
Pesquisador Aposentado da Embrapa.

A febre amarela pode ser o triste fim para espécies de primatas ameaçadas, se constituindo em um “tiro de misericórdia”para extinção, segundo especialistas.

Infelizmente, a febre amarela chegou à única região do país onde o mico-leão-dourado ainda vive na natureza. Acrescente-se ainda o enorme perigo que correm outras espécies de macacos ameaçadas de extinção, como o muriqui-do-norte e os bugios, que vivem em reservas e matas nas regiões alcançadas.

De acordo com o Ministério da Saúde, até aos dias atuais quase 5,5 mil macacos morreram por suspeita de febre amarela desde o início do surto, número considerado muito aquém da realidade, já que muitos animais morreram no interior das matas, distante de qualquer contato com humanos.

Além de provocar a maior epidemia humana da doença em décadas no Brasil, causando 426 mortes, o vírus teve uma expansão geográfica sem precedentes em florestas e matas, definida por especialistas como uma “tragédia humana ambiental”.

O vírus da febre amarela se disseminou rapidamente por Minas Gerais e Espírito Santo. Chegou ao sul da Bahia e a outras áreas dos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro, onde segue avançando nesta semana (24/05/2017), sendo que a sétima morte humana por febre amarela foi confirmada no Rio de Janeiro, em Porciúncula, ao noroeste do Estado.

Atentem muito bem para o fato de que apesar de não transmitirem o vírus para os humanos, nas epidemias de febre amarela, os primatas servem como sentinelas involuntários. Quando começam a morrer é dado o sinal de que o vírus está na determinada área, o que se traduz em alerta fundamental para a adoção imediata de consistentes políticas de saúde pública, remetendo para a necessidade da vacinação das populações humanas das cercanias.

Isso significa enfatizar mais uma vez, que a exata conscientização sobre a não relação entre a febre amarela- primatas- ser humano é muito importante na medida em que orienta as pessoas no sentido de evitar a todo o custo, a matança indiscriminada dos indefesos macacos das redondezas aos locais de ocorrência do terrível mal, aliás como já ocorreu. Se isto for feito infelizmente estará sendo extinguido um grande limiar de aviso da presença crucial e indesejável da febre amarela na determinada área ou região, além de também concorrer para o extermínio dessas espécies tão valorosas para a humanidade como um todo e para o meio ambiente!

O que falta melhorar é o estabelecimento de um eficiente, eficaz e efetivo programa para orientar as pessoas quanto à vacinação dentro de uma visão holística, determinação das variações virais de mutações e controle, ordenamento territorial quanto à ocorrência da febre amarela e possíveis pontos futuros de epidemias, estabelecer a devida proteção aos primatas que vivem em unidades de conservação in situ e ex situ, destacar a importância do melhor entendimento das nuanças da relação patógeno x hospedeiro x ambiente, enfatizar a boa compreensão sobre a ausência da relação quanto à transmissão da doença de primatas para humanos, além de outros!

 Fonte: UOL Notícias Ciência e Saúde (29/05/2017)

 



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