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08

May 2018

COCO-DA-BAÍA: uma excelente opção para o agronegócio- um estudo de caso para o Maranhão (Em Português)

Publicado por

Afonso Celso Candeira Valois, Engenheiro Agrônomo, Mestre, Doutor e Pós-Doutor em Genética, Melhoramento de Plantas e Biotecnologia, Pesquisador Aposentado da Embrapa, Ex-Professor Associado da UnB, Ex-Professor Contratado da UEA/CEST, Ex-Secretário Municipal de Meio Ambiente de Tefé (
CONTEXTUALIZAÇÃO

O coqueiro (Cocos nucifera L.), família Arecaceae, apresenta-se como uma excelente alternativa para o sucesso do agronegócio familiar e empresarial. Originário do sudeste da Ásia, principalmente das ilhas entre os oceanos Índico e Pacífico, o coqueiro foi levado para o leste da África e após a descoberta do Cabo da Boa Esperança, a planta foi introduzida no oeste da África, daí seguindo para as Américas e demais regiões tropicais do planeta.

Dono de uma larga variabilidade genética, o coqueiro é possuidor de duas variedades bem distintas, isto é, a variedade gigante e a variedade anã. O coqueiro gigante foi introduzido no Brasil em 1553 trazido pelos navios negreiros, proveniente da Ilha de Cabo Verde. A variedade anã foi introduzida em nosso país nas seguintes épocas: anão-verde em 1925 e 1939 oriundo de Java e norte da Malásia, respectivamente; anão-amarelo e anão-vermelho em 1938 e 1939, respectivamente, também originários do norte da Malásia.

O nome comum de coco-da-baía (de mar) e não Bahia (Estado) conforme às vezes propalado erroneamente, prende-se ao fato de frutos especialmente da variedade gigante ao serem atirados ao mar por tripulantes dos navios chegavam às praias especialmente do Nordeste brasileiro, onde germinavam e formavam exuberantes plantas que encantavam a paisagem praiana.

A IMPORTÂNCIA DA CULTURA DO COQUEIRO

A cultura do coqueiro é muito importante na geração de renda, na alimentação e na produção de mais de cem produtos, em mais de 86 países localizados na zona intertropical do globo terrestre.

Trata-se de uma das mais importantes culturas perenes, sendo mesmo conhecida internacionalmente como “a árvore da vida”, por ser capaz de gerar um sistema auto-sustentável de exploração, de onde praticamente tudo é aproveitado: raiz, estipe (caule), inflorescência, folhas, palmito e principalmente o fruto. Este último ao passar por uma simples transformação é capaz de gerar diversos subprodutos ou derivados como os seguintes: a) produtos utilizados na alimentação pelo aproveitamento do albúmen sólido do fruto; b) produtos fibrosos, utilizados principalmente pela indústria têxtil; além de outros como a famosa água de coco, muito rica em nutrientes, tão apreciada especialmente pelos banhistas nas belas praias maranhenses e de outras regiões do Nordeste brasileiro. Uma aplicação adicional da água de coco é de fito técnico-científico. Nos primórdios foi muito utilizada em meios de cultura de tecidos e órgãos de plantas, sendo inclusive descoberto um hormônio, o Difenil-Ureia, bom promotor da divisão celular.

O endocarpo é utilizado na produção de carvão dos tipos gasogênio, desodorizante e ativado, enquanto que o coque metalúrgico, de alto valor calorífico e baixo teor de cinzas é usado na ourivesaria, metalurgia e indústria artesanal, em substituição ao carvão mineral.

No processamento industrial, seja para extração de óleo de coco ou para a obtenção do leite é obtida a torta de grande utilidade na dieta alimentar do rebanho por ser rica em proteínas e energia.

Da casca do fruto são extraídas fibras de diferentes comprimentos, bastante úteis para a fabricação de vestuário, tapetes, sacaria, almofadas, colchões, acolchoados para a indústria automobilística, escovas, pincéis, capachos, passadeiras, cordas marítimas, cortiça isolante, cama de animais e adubos orgânicos, além de outros usos.

A copra é utilizada principalmente para a extração do óleo comestível, combustível e matéria-prima para a fabricação dos seguintes produtos: borracha sintética, margarina, cosméticos, fluidos para freios hidráulicos de avião, resinas sintéticas inseticidas e germicidas, plastificador de vidros de segurança, adesivo no processamento de lubrificantes, na fabricação de glicerina e nas indústrias de sabões como destaque. Enquanto isso, o óleo tem larga aplicação na fabricação de álcool em face de ser rico em ácidos láuricos e ácidos saturados de menor peso molecular, além da produção de detergentes e plásticos, considerando as suas propriedades biodegradáveis. Além disso, outro produto muito apreciado no mundo inteiro é o famoso coco ralado, de grande utilização em pastelarias, confeitarias e sorveterias por causa do sabor e aroma bastante agradáveis, bem como das elevadas propriedades alimentícias.

A PESQUISA AGROPECUÁRIA

Em decorrência do elevado poder de agregação de valores representado pelo coqueiro, a Embrapa elegeu a exploração racional dessa planta com base na geração de conhecimentos e tecnologias apropriadas para o benefício dos produtores de coco nos diversos níveis e para o bem-estar dos consumidores. Assim, essa Empresa Pública que é de todas brasileiras e brasileiros primeiramente estabeleceu um Centro de Pesquisa específico para coco localizado em Aracaju (Sergipe), hoje transformado na Embrapa Tabuleiros Costeiros, fortaleceu a cooperação nacional e internacional com a iniciativa pública e privada, capacitou recursos humanos e estabeleceu boa infraestrutura e apoio logístico, principalmente para se credenciar para transformar pontos fracos em pontos fortes e ameaças em oportunidades ligados à modernização da cocoicultura e agroindústrias, no aprimoramento de PD&I para o benefício da sociedade, com base na convergência de tecnologias apropriadas.

Dentro desse contexto e considerando que a cultura do coqueiro é uma grande realidade em Sergipe, Ceará, Bahia e Pará, além de outros, tem sido possível conhecer e vencer barreiras tecnológicas através do melhoramento genético, ecofisiologia, implantação e manejo da cultura, nutrição e adubação, irrigação e drenagem, combate de pragas e doenças e uso de boas práticas agrícolas/fabricação de pré-colheita, colheita e pós-colheita. Destaque deve ser dado ao precioso banco de germoplasma que a Empresa mantém na região do Betume (São Cristóvão-Sergipe), possuidor de uma vasta gama de variedades e em especial dos paternais dos principais híbridos que apresentam os melhores valores fenotípicos e genotípicos para produção, produtividade, homeostase do desenvolvimento (adaptação) e outras excelentes características ao redor do mundo.

O COQUEIRO NO MARANHÃO

Levando em conta as exigências edafoclimáticas do coqueiro, como era de se esperar, o Maranhão apresenta todas as condições para se constituir em um grande produtor de coco, principalmente considerando os seus territórios rurais de Lençóis Maranhenses-Munim, Vale do Itapecuru, Baixo Parnaíba, Cocais e Baixada Maranhense.

No entanto é um Estado, que apesar de poucas exceções, prima pelo nefasto acomodamento e se sentir satisfeito em importar coco de outros estados, perdendo assim uma excelente oportunidade de fortalecer e modernizar a exploração racional do coqueiro e gerar trabalho, emprego, serviços e renda para a sociedade diante das consubstanciais oportunidades de comercialização para o consumo interno e de exportação dos inúmeros produtos e subprodutos do coqueiro, e não apenas para beber a fortificante água de coco, conforme modestamente demonstrado neste singelo artigo técnico-científico!

Considerando a exatidão dos aspectos aqui levantados foi que o Convênio do Mapa e Embrapa com o Governo do Maranhão (Seagro, Sectec, Seplan, Uema) e outras instituições da sociedade civil organizada (InAgro, Faema, Fetaema, Famem), ainda contando na época com o concurso de outros parceiros como o Sebrae, Planeja, Ciat, Cinpra, Caf, BNB e Prefeituras organizou com a Embrapa Tabuleiros Costeiros, a presença em São Luís no ano de 2006 de especialista daquela instituição, sob a iniciativa e coordenação do autor deste artigo, para em uma primeira aproximação e de forma participativa prestar assessoramento técnico, apresentar palestra e selecionar área no município de Itapecuru-Mirim para a implantação de unidade de validação tecnológica (UVT) em área de agricultores de produção familiar de coco, com vistas a instalar um sistema de produção de coco, com a introdução de boas práticas agrícolas (BPA), com o uso de tecnologias modernas apropriadas, para os devidos desdobramentos estratégicos e táticos, com a participação de instituições locais.

Essa iniciativa inédita no Maranhão se traduziu em uma resposta imediata a uma demanda advinda de um interessante evento sobre fruticultura organizado pelo referido Convênio, coordenado pelo autor deste artigo, no Território Rural dos Lençóis Maranhenses-Munim, em Morros, com a participação de representantes dos demais municípios desse Território e de Itapecuru-Mirim que, aliás, na época se esforçava sobremaneira na direção do agronegócio bem sucedido dos produtos e subprodutos dessa palmeira funcional, onde a cultura do coqueiro foi eleita com prioridade ao lado da banana, abacaxi, manga, caju e açaí.

Assim, simplesmente foi oferecida uma ótima oportunidade alternativa para o desenvolvimento de esforços e ações para serem conduzidos desde então no cultivo racional do coqueiro, sem solução de continuidade, com a aplicação indispensável de conhecimentos aprimorados e tecnologias apropriadas para o integral benefício desse social e rendoso agronegócio no Maranhão, que por certo sairá da lista de Estado importador para pleno produtor e exportador de coco!



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