Artículos

08

Ene 2018

Artigo Relacionado à Dúvida do Papa Francisco quanto à Aplicação das Plantas Transgênicas (Em português)

Publicado por

(Artigo técnico-científico atualizado em 29/12/2017)

Por Afonso Celso Candeira Valois, pesquisador aposentado da Embrapa

Comentário efetuado pelo Dr. Afonso Celso Candeira Valois, exposto no Facebook, em 23/10/2017, com adendos recentes, considerando a palestra do Nobel de Medicina, bioquímico Richard John Roberts, apresentada por ocasião do “II Congreso Pobreza y Hambre”, feita “para desmontar las criticas a la modificación genética de los cultivos”, quando enfatizou: “no digan que los transgénicos son peligrosos porque eso es falso”:

Essa falsidade ideológica e mercadológica propalada acima partiu principalmente de opositores localizados em países europeus, que são os maiores produtores de agrotóxicos da agricultura do Planeta, pois viram os seus robustos mercados serem ameaçados por empresa americana que primordialmente conseguiu pesquisar e introduzir genes de tolerância em soja especificamente para os herbicidas que produziam, vendo assim os seus produtos ganharem na competição no mercado nacional e internacional! Em uma excelente oportunidade falei em concorrido evento organizado na Câmara Federal, no Auditório “Nereu Ramos”, que se o uso dos transgênicos tivesse sido começado pelos produtos alimentícios talvez não houvesse tanta polêmica e controvérsias! Estava certo! Um dos grandes resultados do uso de OGM é justamente a drástica redução da aplicação de agrotóxicos na agricultura, além de elevar a qualidade dos produtos!

Modestamente tenho enfatizado em meus singelos comentários que a biotecnologia agrícola não é só para transgênicos e que transgênicos não são só para soja, pois existe uma ampla avenida a percorrer para o benefício da humanidade. Nesse sentido, o Brasil vem se exercitando convenientemente. Muitos avanços têm sido conseguidos em biologia molecular e celular, transformação genética de plantas, genética sintética, nanotecnologia, marcadores moleculares, genoma, proteoma, metabolômica, transcriptoma etc., sempre evidenciando a bioética, de maneira legal e transparente, obedecendo às leis brasileiras e internacionais para o benefício autóctone e exótico dos povos. Os OGM atualmente são os produtos mais bem analisados sob o ponto de vista genético e possíveis efeitos colaterais, muito bem vigiados no Brasil por uma competente “Comissão Técnica Nacional de Biossegurança”, eclética, formada por representantes de instituições oficiais, públicas e privadas, além de integrantes da sociedade civil organizada. Jamais esse colegiado iria concordar com a liberação de algo que poderia ter efeito maléfico, ocasionando risco, perigo ou dano depressivo à boa alimentação. O “Princípio da Precaução” tem sido mantido à risca!

 Até aos dias atuais os OGM jamais causaram algum mal às pessoas que deles se alimentam, daí a aceitação pela Organização Mundial da Saúde. Certa vez um pesquisador mal intencionado, manipulou perversamente dados contrários aos OGM e os publicou em forma de artigo na conceituada Revista Nature. No número seguinte esta revista inglesa se desculpou dos leitores, pois os dados estavam duvidosos e equivocados!

Nesse sentido da balela em relação aos OGM, certa vez presenciei em Roma (Itália), em reunião da FAO, um mal-avisado representante de país africano rechaçar um oferecimento de bom grado efetuado por empresa americana que queria ofertar sementes transgênicas para alimentar o seu povo, que na ocasião estava morrendo de fome, no significado da palavra. Motivo: Os europeus que inclusive financiavam a presença desse e de outros representantes africanos naquela e outras reuniões do gênero na FAO, orientavam aquelas incautas pessoas para assim proceder em detrimento do sofrimento de um povo sabidamente bastante carente! Recordo que na fase inicial dessa alternativa de consumir OGM, aqui no Brasil circulava uma cartilha maldosamente orientando as pessoas para que não se alimentassem de milho, pois esse produto básico da alimentação tinha sido transformado com o uso de genes de escorpião, daqueles amarelinhos que são venenosos! Mais recentemente, uma exímia Médica me confidenciou que estava bastante temerosa, pois a sua filha gostava muito de milho pipoca, e ela estava propensa a não mais possibilitar esse alimento à sua ente querida. Diante disso, recolhi várias informações e lhe enviei, com prós e contras aos OGM, incluindo as balelas e as sensatas opiniões de instituições reconhecidamente sérias, mas deixando-a à vontade para a definição como mãe. Logo em seguida, usando o seu bom-senso, respondeu ao meu e-mail atestando que iria continuar cedendo para a sua filha (que ela carinhosamente chamou de pequena) ingerisse milho pipoca! Vejam bem onde pode chegar a sensatez, rebatendo a má informação advinda de instituições e pessoas direcionadas ao seus próprios benefícios ingratos!

Só tenho dúvida quanto à aceitação pelo papa argentino! Outrora ele já se posicionou contrário aos OGM! Isso talvez por falta da visão estratégica e tática mais aprimoradas em prol da alimentação sadia, especialmente dos povos mais carentes, além da lacuna na ampliação do conhecimento sobre o importante tema para a humanidade, bem como se cercar de bons assessores com competência em biologia, incluindo a genética aplicada!

No entanto, em 23 de outubro de 2017, o Sumo Pontífice deu mostra cabal de que se encontra em franco processo de se redimi em relação à pesada dúvida antes demonstrada, ao acolher e apoiar a realização de um  Workshop sobre “Biologia Celular e Genética” em dependências do Vaticano, com a firme participação de especialistas renomados em biologia molecular e celular, de alguns países inclusive do Brasil, abrangendo a transformação genética de plantas, conforme a notícia também veiculada na Revista ISTO É (2017), com um sugestivo título!

Nunca é tarde demais para o realinhamento  em benefício dos povos!

Referência: Revista ISTO É. Quando a ciência se encontra com Deus. Ano 40, N. 2501, 22/11/2017, páginas 64-65.


Lea también