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Jul 2019

AMAZÔNIA EM PERIGO CONSTANTE

Publicado por

Por Afonso Celso Candeira Valois, Engenheiro Agrônomo, Mestre, Doutor e Pós-Doutor em Genética, Melhoramento de Plantas e Biotecnologia, Pesquisador Aposentado da Embrapa, Ex-Vice Diretor do DNPEA/IPEAAOc, Ex-Chefe Geral da Embrapa Amazônia Ocidental, Ex-Chefe Geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Ex-Professor Associado da UnB, Ex-Professor Contratado da UEA/CEST, Ex-Secretário Municipal de Meio Ambiente de Tefé (AM).

CONTEXTUALIZAÇÃO

A AMAZÔNIA ESTÁ DESBOTANDO – E O RITMO CONTINUA ASSOMBROSO. O ÚLTIMO RELATÓRIO DO IMAZON APONTA QUE A FLORESTA PERDEU EM MARÇO DESTE ANO (2018), 243% MAIS VERDE DO QUE NO MESMO MÊS EM 2017. FORAM ABAIXO 287 KM² DE VEGETAÇÃO.
OS ESTADOS QUE MAIS DESMATARAM FORAM MATO GROSSO (40%), RORAIMA (21%) E PARÁ (18%). NÃO CUSTA LEMBRAR QUE A CAPACIDADE DE RECUPERAÇÃO DA AMAZÔNIA ESTÁ POR UM FIO. EM NOME DE QUÊ ESTAMOS CORRENDO ESTE PERIGO?
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COMENTÁRIOS EFETUADOS PELO DR. AFONSO CELSO CANDEIRA VALOIS

Considerando esse muito bem aplicado levantamento estratégico efetuado pelo conceituado IMAZON (chegado ao meu conhecimento através do site “Biólogos do CEST-UEA, Tefé-AM”), nenhum brasileiro, seja de onde for, nunca deve esquecer que a Amazônia Brasileira com os seus 522 milhões de hectares abrange 60,44% do território nacional e 80% da Amazônia Continental. Ostenta o maior ativo ambiental do planeta e precisa contar com a redobrada obrigação do Brasil em prol da sua sustentabilidade política, social, econômica, cultural, ética e de proteção ao meio ambiente, principalmente levando em consideração as notícias constantemente veiculadas em torno da ameaça à sua soberania pela cobiça e interesses internacionais, tendo em vista a sua grande extensão e a enorme riqueza do capital biótico e abiótico que abarca.

Não se deve olvidar que a Amazônia, especialmente a brasileira está constantemente sob os holofotes do mundo voltados para ela, em vigilância permanente, principalmente quanto às ações perversas do desmatamento, levando em conta os dados de que em 2001-2002 foi de 25.476 km², em 2003-2004 foi de 27.772 km², em 2004-2005 foi de 18.793 km², entre 2005-2006 ficou em 14.039 km², em 2006-2007 foi de cerca de 11.532 km² e de agosto a dezembro de 2007 o desmatamento atingiu 7.000 km² com destaque negativo para 35 municípios localizados nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia que mais desmataram. Isso fez com que o governo brasileiro em fins de fevereiro de 2008 enviasse a Força Nacional de Segurança para o município de Tailândia (PA), para proceder ao fechamento e multar as madeireiras infratoras, o que causou grande revolta entre a população desempregada, mas que cuja ação foi muito bem aplicada, com todos os méritos de nacionalismo, responsabilidade e integridade ambiental da importante região.

Para uma avaliação consciente, mesmo necessitando da atualização com dados mais recentes, no período de 2007-2008, o desflorestamento alcançou 11.968 km², reduzindo para 7.008 km² entre 2008-2009. Em 2009- 2010 foi 6.451 km²; em 2010-2011 o desmatamento foi 1.486 km²; 2011-2012 alcançou 1.233 km² entre janeiro e agosto; 2012-2013 foi 5.591 km²; 2013-2014 foi 5.012 km²; 2014-2015 foi 6.027 km²; 2015-2016 foi 8.000 km², enquanto que no período de agosto de 2016 a julho de 2017 o desmatamento na Amazônia Legal atingiu a marca de 6.624 km².

As taxas de desmatamento da Amazônia Legal mostradas nesse artigo acima citado correspondem aos dados apresentados pelo Prodes- Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal.

Se forem levados em conta os dados históricos de desmatamento na Amazônia Legal desde 2001-2002, com a maior taxa ocorrida no período de agosto de 2003 a julho de 2004 (27.772 km²), nota-se que houve uma acentuada redução do desflorestamento em resposta à execução de programas governamentais, além das ocorrências naturais climáticas. O brasileiro não deve apenas se conformar com a falácia de que o desmatamento na Amazônia desacelerou. Mesmo assim, a vigília tem que continuar, pois uma só árvore sequer que for derrubada indevidamente é uma perda lastimável para a natureza que levou muito tempo para gerar e conservar os genótipos, considerando todas as interações genéticas fenotípicas e genotípicas às quais foram submetidas nos diversos ambientes!

O desmatamento desenfreado na Amazônia, de acordo com a Revista ISTOÉ de 05/03/2008, Nº 2000, Ano 31, p. 43-44, geralmente resulta do “diabólico pacto de interesse entre a pobreza dos colonos, a ganância dos madeireiros, o oportunismo dos pecuaristas e a complacência dos governos”.

Conforme já anotei e publiquei através de vários canais de divulgação, a Amazônia continua uma “acolhedora porta aberta” à entrada indigesta de armas bélicas perigosas, entorpecentes, danosas espécies invasoras exóticas da agricultura, além de outros significativos males. O Governo brasileiro enfraqueceu ao longo daqueles nefastos 14 anos próximo passados, a vigilância tática e operacional na imensa fronteira de 11,3 mil quilômetros de extensão, fechou escritórios de instituições consideradas estratégicas como o IBAMA, não conseguiu organizar uma consistente presença regional em ciência, tecnologia e inovação apropriadas, especialmente nas mais remotas regiões do Médio e Alto Solimões, incluindo a própria pesquisa agropecuária pública, além de outras sérias lacunas. A bem da verdade, como tenho propalado em outras oportunidades, o Exército Brasileiro é a única instituição que exerce um papel preponderante na Amazônia, estando presente na grande maioria das regiões longínquas de fronteira com os demais países amazônicos, atuando garbosamente!

Certa vez, diante de “tanto faz de conta”, cheguei mesmo a sugeri que talvez uma medida estratégica e de segurança nacional fosse a criação de um Ministério específico para a Amazônia, composto por pessoas competentes e com conhecimento regional, sem se constituir em mais um cabide de empregos.

O mais contundente desse enfadonho descaso é receber vídeos e outras informação advindas de outros países especialmente daqueles que se dizem desenvolvidos, no sentido de que o Brasil não tem competência para lidar com a sua Amazônia, daí todas aquelas nefastas tentativas de internacionalização da Hileia, considerando os sabidos benefícios que a sua manutenção sustentável traz para o bem de toda a humanidade. Há mesmo vídeos circulando, onde a cobiça à região está bem exposta, até desrespeitosamente, enfatizando que a Amazônia é um bem comum da humanidade, não só do Brasil e daqueles outros oito países que formam a formidável Amazônia Continental, sendo o Brasil o seu maior detentor, com cerca de 80% de toda região!

Certa vez, em junho de 2.000, eu e outros colegas da Embrapa visitamos um importante banco internacional nos Estados Unidos (o famoso Bando Mundial), com sede localizada em Washington DC, e tivemos o desprazer de ouvir de um dos seus diretores que aquela instituição de abragência mundial estava com a tendência de concordar com a internacionalização da Amazônia e até do Pantanal matogrossense. Vale recordar que naquela oportunidade (abril/maio do ano citado acima) circulava em escolas daquele país, o mapa do Brasil sem essas duas citadas regiões! De retorno ao Brasil, coube a mim elaborar o respectivo relatório de viagem em nome da equipe, bem como busquei explicações sobre o ocorrido naquela visita, em reunião reservada na instituição oficial de inteligência estratégica do nosso país, a conceituada Abin! A representação do citado banco internacional em Brasília (DF) foi devidamente notificada e cobrada explicações!

Mas será que é isso mesmo, que no Brasil só existem aproveitadores das riquezas naturais que a Amazônia oferece, sem a mínima preocupação com a sua preservação, conservação e sustentabilidade? No sentido holístico, a proteção da Hileia é prioritária! Certa vez também escrevi: A natureza não sabe reclamar, mas sabe punir!

De nada adianta apenas efetuar estudos e levantamentos sobre o desmatamento perverso da Amazônia Legal, sem apontar os caminhos alternativos para a sua real proteção, como aliás, modestamente eu tenho feito em singelos artigos que escrevo sobre a Hileia! É inteiramente inútil a atual disputa entre o governo federal e alguns dos seus próprios institutos e outras instituições, quanto à acusação dos desmazelos observados na Amazônia, demonstrando uma nefasta perda de tempo. Todos devem se unir em prol da grande e importante região, pois do contrário “o bicho chega e abocanha tudo”!

CONCLUSÃO

A amazonização do Brasil é realmente premente para que as instituições e pessoas se conscientizem da grande importância da Amazônia para o nosso país e para o mundo. Recentemente foi divulgado via WhatsApp, um excelente vídeo com dados soberbos sobre a necessária proteção da Amazônia, onde o governo brasileiro de forma explicativa e didática conclama o povo a melhor conhecer e se unir em prol do benefício da rica região. Pensem a atuem nesse sentido!

BIBLIOGRAFIA

VALOIS, A. C. C. Amazonizar o Brasil é premente: Trinta e três regras para a sustentabilidade dos Recursos Genéticos da Amazônia. Revista RG NEWS, v.2, n. 2, 2016. p- 46-50.

 



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