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25

Feb 2019

A Água na Agricultura (En portugués)

Publicado por

Por Afonso Celso Candeira Valois
Engenheiro Agrônomo, Mestre, Doutor e Pós-Doutor, Pesquisador Aposentado da Embrapa.

No contexto deste singelo artigo não se poderia deixar de fazer alusão à recorrente crise hídrica que tem assolado o Brasil, especialmente no Nordeste Semiárido, onde o tema “água na agricultura” tem recebido enorme destaque, no sentido da racionalização do uso da água na agricultura. Aqui mais uma vez se destaca a infeliz solução de continuidade que geralmente persegue importantes processos no Brasil. Outrora, o país passou por uma verdadeira revolução no campo das práticas de irrigação e drenagem, culminando pela criação de ministério de irrigação, criação de centro de pesquisa da Embrapa em Parnaíba (PI), criação e fortalecimento de consistentes programas dos outrora PRONI e PROINE, formação de equipes técnicas qualificadas, socialização dos diversos sistemas de irrigação e drenagem com ênfase aos mais econômicos, eficientes e eficazes, desenvolvimento de inúmeros eventos de cunho técnico-científico, ênfase à forma da agricultura mais recomendada e elaboração competente de diversos documentos orientadores, dentre outras importantes iniciativas. Infelizmente, governos posteriores destroçaram tamanhos esforços desenvolvidos, chegando ao ponto de atualmente parecer que nada foi feito anteriormente, e que medidas inéditas têm que ser tomadas no sentido de adequar o uso da água na agricultura, em prol do agronegócio rentável e duradouro. O comentário recentemente veiculado de que “o equívoco que costuma ser atribuído à agricultura, que consumiria 70% da água disponível , chamando atenção para o fato de que a maioria do setor agrícola não consome água, apenas a utiliza, devolvendo-a à natureza”, apesar de merecer alguns reparos de cunho técnico-científico no sentido de melhor aclarar a conscientização pública, tem um fundo de verdade. O que falta evidenciar no Brasil é a premente necessidade da racionalização do uso da água na agricultura em todos os sentidos, inclusive da adequação de consistentes políticas públicas integradas, envolvendo os demais setores que também utilizam a água de maneira vital. Tudo isso está muito bem definido nos documentos expedidos pelo PRONI e PROINE, além de outros relacionados ao tema. O autor deste artigo evidenciou “in loco” nos Estados Unidos da América do Norte, em regiões de grande escassez de água, o quanto esse relevante tema é levado a sério, inclusive considerando o respeito e consideração aos usuários que se encontram à montante e à jusante de um curso de água. Em Las Cruces (New Mexico) por exemplo, nos jardins das casas geralmente não são encontradas plantas, mas pedras coloridas para enfeitarem os ambientes, enquanto que até as plantas nos quintais das casas são controladas e cadastradas para efeito de cobrança monetária por serem focos de uso do precioso líquido! No Brasil, mesmo em regiões ricas em água como na Amazônia sempre úmida, esse benefício que a natureza graciosamente legou à humanidade tem que merecer os cuidados especiais, dentro de uma visão estratégica, pragmática e operacional. Em Tefé (AM), por exemplo, é muito comum observar-se água límpida e também poluída escorrendo pelas ruas, em sinal de completo descaso no uso adequado da água. Quando o autor deste singelo artigo foi Secretário de Meio Ambiente nesse município amazonense combatia veemente essa tamanha “pegada ecológica”. A natureza não sabe reclamar, mas sabe punir! Para reflexão!



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